30 de novembro de 2020

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Mencius Melo – Da Revista Cenarium

MANAUS – No Dia da Consciência Negra, celebrado nesta sexta-feira, 20, a REVISTA CENARIUM apresenta o legado de homens e mulheres negros que marcaram a vida de centenas de pessoas no Amazonas. São três personagens que foram escolhidos pelos papéis singulares que desempenharam na cultura, história e memória do Estado.

O primeiro deles é Eduardo Ribeiro, que amealhou oposição política da região amazônica. Parte da elite da borracha o via como um “negro forasteiro”. De acordo com o historiador Otoni Mesquita, há registros do preconceito. “Em artigos de jornais à época, autores se referiam a ele como ‘a mancha negra na nossa história’”, aponta Otoni.

Tratado como ‘mancha negra’ , Eduardo Ribeiro foi o primeiro negro a governar o Amazonas (Reprodução/Internet)

Mesmo com forte oposição, Eduardo Ribeiro deixou grandes “digitais” no Estado. É dele o crédito pelas grandes obras, como o Teatro Amazonas e o Palácio da Justiça. De vida atribulada, o parlamentar ainda tentou o senado da república no Rio de Janeiro, mas retornou a Manaus onde morreu aos 40 anos de idade.

Lindolfo Monte Verde

Lindolfo Marinho da Silva, nasceu em Parintins, no Amazonas no dia 2 de janeiro de 1902 e morreu na mesma cidade em 27 de julho de 1979. Versador popular, Lindolfo é conhecido como Mestre Lindolfo Monte Verde, que segundo os registros da família, ele adotou ‘Monte Verde’ para se referir aos montes verdes da África.

Lindolfo Monte Verde e esposa, ladeado pela família em um dos poucos registros do mestre em Parintins (Reprodução/Internet)

Neto de escravo maranhenses, Lindolfo possui poucos registros históricos já que viveu a vida inteira em uma cidade pequena e com poucos recursos tecnológicos para fazer o registro de sua atuação. Mas, mesmo com as limitações do mundo amazônico, Mestre Lindolfo criou uma das bases do maior evento folclórico do Brasil.

Em algum lugar entre os anos 1910 e 1920, Lindolfo criou o Boi Garantido. A data oficial da associação folclórica Boi Bumbá Garantido é 1913. Com voz potente, criatividade e um talento nato para criar versos, Lindolfo deixou uma marca indelével. “Meu avô era um gênio da cultura popular, está ai o Garantido para provar”, exaltou seu neto, Ivo Monteverde.

Mãe Zulmira

Símbolo do sincretismo religioso que marca o Brasil de tantos negros, Mãe Zulmira nasceu no dia 3 de setembro de 1923 em Manaus e morreu no dia 13 de maio de 2007 na mesma cidade. Moradora do bairro Cachoeirinha, cedo se mudou com a família para o que viria ser o bairro Morro da Liberdade, zona sul da capital amazonense.

Em um dos poucos registros antes de sua morte, Mãe Zulmira ao lado da pesquisadora de carnaval, Aline Said (Reprodução/Arquivo Pessoal)

No Morro tornou-se filha do Terreiro de Santa Bárbara. Começara ali o reinando de uma das maiores mães de santo do norte do Brasil. Reverenciada e amada por sua comunidade, Mãe Zulmira recebia em seu terreiro caravanas de fiéis de todo o país. Sua fama correu longe e Zulmira virou enredo da escola de samba do bairro.

Em 1989 o samba ‘Axé Mãe Preta’ embalou a Reino Unido da Liberdade em seu primeiro campeonato no carnaval de Manaus e tocou nas rádios do Rio de Janeiro. Tamanho sucesso transformou Mãe Zulmira em símbolo da negritude amazônica. “Mãe Zulmira é a alma do nosso bairro e o coração da nossa comunidade”, declarou o músico Marcos Moura, morador do Morro da liberdade.

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