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4 de dezembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

LIMA – Há um ano, Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), emitiu uma mensagem forte: a pandemia da Covid-19 estava causando uma crise de saúde mental nas Américas em uma escala nunca vista antes.

Hoje, quando se comemora a luta global contra esses tipos de doença, as perspectivas continuam preocupantes. No entanto, não é tarde para tomar as medidas necessárias e evitar que a pandemia deixe uma marca indelével na saúde mental da população.

Impacto significativo

Estudos nacionais da Argentina, Brasil, Canadá, México, Peru e Estados Unidos documentaram altas taxas de transtornos psicológicos, ansiedade e depressão na população em geral. Da mesma forma, uma pesquisa realizada pela empresa Ipsos nos países mencionados, assim como na Colômbia e no Chile, revelou que, em média, 12% dos adultos sofreram uma deterioração significativa de sua saúde emocional e mental.

Em relação aos menores de idade, a ansiedade e a depressão representam quase 50% dos transtornos mentais em crianças e jovens entre 10 e 19 anos na América Latina e no Caribe, segundo o levantamento “Situação Mundial da Infância 2021” do Unicef (fundo das Nações Unidas para a infância e a juventude). Deve-se notar que, antes da pandemia, mais de uma em cada sete crianças e adolescentes no mundo sofria de transtorno mental e 46 mil cometiam suicídio anualmente. Hoje, a situação se agravou, indica o relatório.

Aumentos no uso de álcool e de substâncias também foram relatados. Da mesma forma, registros de telefonemas para linhas diretas, relatórios policiais e outros prestadores de serviços indicam um aumento nos casos relatados de violência doméstica, particularmente abuso infantil e violência contra as mulheres.

“As condições de saúde mental causam grandes deficiências nas Américas. Um terço de todas as deficiências por doença na região se deve a problemas de saúde mental”, afirma Renato Oliveira e Souza, chefe da Unidade de Saúde Mental da região na Opas.

Mas, apesar desses números, o investimento dos governos continua insuficiente. Segundo o especialista, estima-se que os países das Américas destinem apenas 2% de seus orçamentos totais de saúde pública à saúde mental, e quase 61% desse montante é direcionado a hospitais psiquiátricos, que muitas vezes são locais de desrespeito aos direitos humanos.

A isso devem ser adicionados dois outros grandes problemas, que ocorrem desde antes da pandemia. O primeiro é a lacuna de tratamento (a porcentagem de pessoas que precisam de cuidados, mas não são tratadas): para algumas condições de saúde mental e de uso de substâncias, essa lacuna chega a quase 80%. O segundo é a carência de pessoal especializado: estima-se que haja 10,3 trabalhadores em saúde mental para cada 100 mil habitantes.

“Aconselhamos que o orçamento para saúde mental seja de no mínimo 5% ou 6%, mas depende das necessidades de cada país. O importante não é apenas aumentar o investimento, mas também que os recursos cheguem à comunidade, ou seja, integrar os serviços de saúde mental à atenção básica, que é o primeiro contato da pessoa com os serviços gerais de saúde”, explica Oliveira e Souza.