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18 de janeiro de 2022
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Com informações da ONU

MANAUS – Um recorde de 235 milhões de pessoas precisarão de assistência humanitária e proteção em 2021, um aumento de quase 40% em relação a 2020, ano perdido para a pandemia. A informação é do chefe humanitário das Nações Unidas, Mark Lowcock, que lançou o plano humanitário global nesta terça-feira, 1.

O pedido de 35 bilhões de dólares servirá para atender necessidades humanitárias das pessoas mais vulneráveis do mundo durante todo o ano de 2021. Segundo Lowcock, a crise global de saúde afetou dramaticamente as pessoas que já se recuperavam de conflitos, níveis recordes de deslocamento e choques climáticos.

Ele disse que epidemias de fome “múltiplas” estão se aproximando. A situação é “desesperadora” para milhões e deixou a ONU e seus parceiros “sobrecarregados”, acrescentou.

“O quadro que estamos apresentando é a perspectiva mais sombria sobre as necessidades humanitárias no período à frente que já iniciamos. Isso é um reflexo do fato de que a pandemia de COVID-19 causou uma carnificina em todos os países mais frágeis e vulneráveis do planeta.”

Ecoando o apelo de Lowcock por solidariedade global, o secretário-geral da ONU, António Guterres, exortou o mundo a “estar com as pessoas em sua hora mais obscura de necessidade”, enquanto a pandemia global continua a piorar.

Embora o sistema humanitário tenha entregue “alimentos, remédios, abrigo, educação e outros bens essenciais a dezenas de milhões de pessoas, a crise está longe de terminar”, alertou o chefe da ONU em um comunicado.

Plano beneficia 56 países

O Plano Global Humanitário deste ano pretende alcançar 160 milhões das pessoas mais vulneráveis em 56 países. A maioria dos planos, se totalmente financiados, estão avaliados em 35 bilhões de dólares.

Ele observou que, embora os países mais ricos tivessem investido cerca de 10 trilhões de dólares para evitar o desastre econômico da crise induzida pela COVID-19, e agora pudessem ver uma “luz no fim do túnel”, o mesmo não acontece com os países mais pobres.

A crise da COVID-19 jogou milhões na pobreza “e disparou as necessidades humanitárias”, explicou Lowcock, acrescentando que o financiamento da ajuda era necessário para “evitar a fome, combater a pobreza e manter as crianças vacinadas e na escola”.

O dinheiro também será usado do Fundo Central de Alívio de Emergências (CERF) da ONU para combater o aumento da violência contra mulheres e meninas ligada à pandemia, disse Lowcock.

Choques climáticos ampliam crise

Ele também destacou como a mudança climática e o aumento das temperaturas globais contribuíram para a perspectiva sombria das necessidades humanitárias em 2021, sendo seu impacto “mais agudo nos países que também têm os maiores problemas humanitários”.

Segundo o chefe humanitário da ONU, oito dos dez países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas são aqueles onde as agências humanitárias já têm muito trabalho a fazer.

Conflitos novos e antigos também contribuíram para o aumento das necessidades, acrescentou Lowcock, apontando para “novos picos de conflito em lugares que antes eram mais pacíficos”.

“Vimos isso obviamente recentemente em Nagorno-Karabakh, vimos no norte de Moçambique, vimos no Saara Ocidental e no momento, obviamente, tragicamente, estamos vendo no norte da Etiópia”, enumerou.

Infelizmente, essas crises “não substituíram os conflitos que foram resolvidos e acalmados em outros lugares”, continuou Lowcock. “Na verdade, as coisas estão tão ruins agora nos maiores cenários humanitários impulsionados pelo conflito quanto estavam há um ano.”

Foco

Além de fornecer os meios para ajudar as comunidades em crise, Lowcock destacou o foco do apelo da ONU na ação preventiva. Isso incluiu uma injeção de dinheiro para a Organização Mundial da Saúde (OMS) em fevereiro, no início da pandemia do coronavírus, para garantir que os países mais pobres recebessem equipamento de proteção para combater o novo coronavírus.

Da mesma forma, dezenas de milhares de vítimas potenciais das enchentes em Bangladesh também receberam apoio financeiro em tempo hábil para que pudessem proteger seus pertences e meios de subsistência.

“Foi uma resposta muito mais barata e eficaz, que reduziu drasticamente o sofrimento humano que teríamos se tivéssemos feito como antes, esperar até que cheguem as enchentes”, insistiu Lowcock.

O conceito de “cortar os problemas pela raiz” e agir sobre eles antes que se tornem críticos estava “cada vez mais bem estabelecido”, afirmou.

No entanto, o chefe humanitário da ONU ressaltou que a escala dos desafios que os trabalhadores humanitários enfrentam no próximo ano é enorme – e crescente. “Se chegarmos a 2021 sem grandes epidemias de fome, será uma conquista significativa. As luzes vermelhas estão piscando e os alarmes estão tocando.”