24 de outubro de 2020

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Luciana Bezerra — Da Revista Cenarium*

MANAUS — O estudo “Rastreabilidade da Cadeia da Carne Bovina no Brasil: Desafios e Oportunidades realizado entre a Coalizão Brasil e Amazônia Possível, lançado em setembro passado, durante a “Climate Week de Nova York” apontou que é possível monitorar e garantir a produção de carne livre de desmatamento ilegal em áreas da Amazônia e do Cerrado brasileiro.

De acordo com o cofacilitador da Coalizão Brasil, André Guimarães, o estudo traz 42 recomendações para o fortalecimento do controle de qualidade ambiental da carne. Segundo Guimarães, há uma imposição mundial sobre a procedência da carne e a proteção ao meio ambiente.

“Em todo o mundo cresce uma legítima pressão pelo direito de saber a origem e as condições de produção daquilo que consumimos. Ninguém quer comprar produtos feitos em condições humanas degradantes e do meio ambiente, por exemplo”, o cofacilitador da Coalizão.

Guimarães destaca ainda que, este ano, grandes players do setor anunciaram medidas adicionais para garantir que seus produtos estejam livres do desmatamento ilegal.

Já Marcello Brito, também representante da Coalizão Brasil, responsabiliza a pressão do agronegócio. “Assim como o agronegócio brasileiro é altamente competitivo em produtividade, somos igualmente competitivos na capacidade de produzir sem desmatamento ilegal e o que este estudo mostra é que temos como provar isso”, ressalta Brito.

“A grande indústria produtora de proteína animal já firmou compromissos internacionais de sustentabilidade que exigem práticas, sistemas e ferramentas mais apurados e consistentes, como as recomendações deste relatório apontam. Agora é preciso ir para ação e implementar esses compromissos”, analisa Bianca Nakamato, analista de Conservação do WWF-Brasil.

Bianca afirmou ainda que a produção não está atrelada à degradação ambiental dos biomas brasileiros e não submeter seres humanos a condições degradantes é requisito básico para o setor atender cada vez mais o que é exigido pelo mercado internacional e pelos consumidores brasileiros.

Força de trabalho

O estudo recomenda também estabelecer etapas para o trabalho. No primeiro momento, o incentivo para que fornecedores de animais tenham condições de atender às exigências de controle de qualidade ambiental da carne, o que poderia resultar em uma lista de fornecedores “premium”.

Numa segunda etapa, o controle da qualidade ambiental da carne poderia ser incorporado na legislação e normas do setor. Nesse contexto, caberia aos atores da cadeia estabelecer sistemas de governança das iniciativas que apoiassem as novas normas, incluindo a adoção, por parte da indústria, de uma base de dados única como diretriz para o controle de fornecedores “premium”, bem como a obrigação contratual de que estes fornecedores usem a mesma base de dados para controlar suas compras de animais. Estas obrigações devem ter como contrapartida a premiação da qualidade ambiental da carne.

Ainda segundo o levantamento, o monitoramento da carne torna-se possível mediante a integração de informações de documentos como a Guia de Transporte Animal (GTA), o Cadastro Ambiental Rural (Car) e os respectivos mecanismos legais que permitam sua validação conjunta, e seguindo as exigências estabelecidas pelos acordos firmados no âmbito do Sistema Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) e pelos Termos de Ajuste de Conduta (Tacs) entre o Ministério Público Federal (MPF) e processadores de carne operando na Amazônia Legal.

(*) Com informação da Assessoria da Coalizão Brasil

  

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