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23 de janeiro de 2022
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Pará, Maranhão e Amazonas lideram entre os Estados da Amazônia Legal com mais atrasados para aplicar segunda dose da vacina contra a Covid-19. Apenas as três Unidades Federativas (UF) concentravam 470.080 pessoas que não haviam completado o ciclo de imunização até o dia 23 de julho, de acordo com dados do boletim epidemiológico do Ministério da Saúde (MS).

Para classificar como atraso no esquema vacinal, foram considerados os registros, cujo o intervalo de tempo da administração da primeira dose com ausência de registro da segunda foi superior a 84 dias para as vacinas AstraZeneca e Pfizer Comirnaty e superior a 28 dias para vacina CoronaVac.

A análise foi feita pelo MS com base nos dados registrados na Rede Nacional de Dados em Saúde entre 17 de janeiro a 23 de julho. As informações são repassadas pelos municípios e pode haver atualização, porque algumas prefeituras atrasam as inclusões no cadastro. O total, apenas nestes três Estados, corresponde a 74% dos “atrasadinhos” na Amazônia, que são 634.675. Do lado oposto do ranking, com menos atrasados para concluir a cobertura vacinal, estão Acre, Roraima e Amapá.

Ranking e imunização entre os Estados da Amazônia Legal (Arte: Renan Máximo/Revista Cenarium)

Dados nacionais

No Brasil, pelo menos 5,5 milhões de brasileiros estão com a segunda dose atrasada, conforme os dados do Ministério da Saúde. O número, até 23 de julho, é 1,6 milhão maior do que o registrado em junho, quando boletim do ministério revelou que 3,8 milhões de pessoas estavam com as doses em atraso.

Segundo os dados do Ministério, 3,3 milhões dos atrasados tomaram a vacina AstraZeneca; 2,1 milhões teriam de tomar a segunda dose da CoronaVac; e 5.033 estavam em atraso com a Pfizer. O Estado com mais pessoas atrasadas era São Paulo, com 1.043.515 indivíduos que precisavam fechar concluir a cobertura vacinal.

Ranking de imunização entre as capitais brasileiras (Renan Máximo/Revista Cenarium)

Populismo sanitário

O atraso nesta conclusão se dá principalmente, segundo o epidemiologista Jesem Orellana, do Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), para políticas de populismo sanitário empreendidas pelo governos federais, estaduais e municipais. Segundo ele, a “corrida” para reduzir as faixas etárias na imunização com a primeira dose se tornou uma plataforma política que não dá atenção a quem precisa tomar a segunda.

“Correr, de forma desorganizada, de forma populista, resulta nesse cenário que nós estamos vendo, uma grande quantidade de pessoas sem tomar a segunda dose ou sem serem vacinadas. É por isso que nós temos várias cidades e vários Estados que estão vacinando os indivíduos com 18 anos ou mais, não porque você alcançou altas coberturas vacinais nos grupos de maior risco, mas porque as secretarias municipais e estaduais de saúde decidiram fazer populismo sanitário abrindo a campanha para todo mundo e não se preocupando com as pessoas que ficaram para trás”, pontuou o epidemiologista.