Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
24 de novembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA — A um ano das eleições, dois personagens do cenário político decidiram ingressar em partidos de centro, e devem ampliar o leque de opções para a “terceira via”, que segue à procura de um candidato competitivo para disputar o Palácio do Planalto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Atualmente no DEM, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), confirmou que vai se filiar ao PSD, e o ex-ministro Sérgio Moro decidiu entrar no Podemos, conforme antecipou a colunista do GLOBO Bela Megale.

Com a mudança de sigla, além de passar a integrar a segunda maior bancada do Senado, Pacheco estará mais perto da corrida presidencial, embora ele não confirme oficialmente sua intenção de disputar o comando do Executivo federal. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, é um dos maiores entusiastas do plano.

“Pacheco torna-se um dos principais quadros do partido. Por ser jovem, ele expressa a renovação que tantos querem no Brasil, e, ao mesmo tempo, tem muita experiência. Ocupou espaço no cenário político em locais que só pessoas preparadas e com talento ocupam, como as presidências do Senado e da Comissão e Constituição e Justiça (CCJ)”, elogiou Kassab.

Questionado se é possível garantir a presença do futuro correligionário na lista de adversários de Lula e Bolsonaro, Kassab diz apenas que o convite já foi feito.

“Se depender de todos nós, ele aceitará o convite que fizemos para que seja o nosso candidato em 2022. Nós entendemos que ele efetivamente poderá vencer as eleições”, afirmou Kassab.

A proposta de filiação ocorreu há meses, levada pelo próprio Kassab. O senador mineiro, contudo, aguardava uma definição sobre a fusão entre DEM e PSL para bater o martelo. Pacheco também optou pela cautela para não se expor cedo demais. A migração de partido era vista no meio político como a formalização de que Pacheco tentaria se cacifar para o Planalto, algo que já era tratado como certo nos bastidores. Caso não consiga se viabilizar ao páreo no nacional, o parlamentar mira o governo de Minas Gerais.

O evento de filiação de Pacheco está marcado para a próxima quarta-feira, no Memorial JK, em Brasília. A escolha do local foi simbólica. Tem por objetivo homenagear o ex-presidente Juscelino Kubitschek, que, assim como o senador, era mineiro e filiado a um partido homônimo à sigla fundada por Kassab em 2011.

Antes mesmo de oficializar sua entrada no PSD Pacheco já vinha sendo encarado por Bolsonaro e aliados do presidente como um adversário. Por isso, ele restringiu suas contas em redes sociais no intuito de evitar ataques de bolsonaristas.

Neste sábado, Pacheco vai participar de um evento nacional do PSD no Rio, que contará com a presença de Kassab e do prefeito da cidade, Eduardo Paes. A partir de então, ele deve iniciar uma série de viagens pelo país em uma tentativa de se tonar mais conhecido nacionalmente.

Seus futuros correligionários acreditam que, se por um lado, o senador ainda não é um personagem reconhecido Brasil afora, por outro, isso contribui para que ele tenha um baixo índice de rejeição. Internamente, acredita-se que a viabilidade de sua candidatura vai depender do desempenho dos outros candidatos, principalmente de Bolsonaro. A avaliação é que o eventual sucesso da terceira via depende da queda de popularidade do presidente, que, segundo esses cálculos, precisa chegar a um patamar de aprovação de até 20%, considerado baixíssimo.

Moro indeciso

Em outra frente, o ex-juiz da Lava-Jato e ex-ministro da Justiça Sergio Moro decidiu que vai mesmo concorrer às eleições de 2022 e irá ingressar no Podemos. O evento de filiação está previsto para ocorrer no dia 10 de novembro. O ato deve acontecer no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, também na capital federal.

Embora tenha seu nome constantemente cotado para a corrida presidencial, Moro ainda não definiu se concorrerá à Presidência ou ao Senado, o que ocorrerá em breve, de acordo com aliados. A expectativa dentro do partido é que, ao fim, ele opte pelo voo mais alto.

O GLOBO apurou que o ex-ministro tem dito que pretende ocupar um lugar de destaque no palanque de 2022 para rebater ataques, sobretudo disparados por Lula. Alguns presidenciáveis, como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) trabalham para convencer Moro a brigar por uma vaga no Senado e prometeram ao ex-magistrado defender o legado dele durante os embates da campanha presidencial.

À frente dos processo da Operação Lava-jato no Paraná, Moro foi o juiz responsável pela condenação de Lula. A sentença, contudo, foi anulada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou o ex-magistrado parcial em suas decisões.

Moro bateu o martelo sobre sua filiação quando esteve no Brasil, no mês passado, para uma rodada de conversas sobre seu futuro político. Ele mora nos Estados Unidos há cerca de seis meses. No ato de filiação, o ex-juiz já estará desligado da empresa Alvarez & Marsal, onde trabalha hoje. Até o fim de outubro, no entanto, ele continuará a serviço da companhia. Em novembro de 2016, Moro chegou a dizer que “jamais entraria para a política”.