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27 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O empresário Nilton da Costa Lins Júnior, filho do professor de mesmo nome e fundador da Universidade Nilton Lins, em Manaus, recebeu a Polícia Federal (PF) a tiros durante a quarta fase da operação Sangria, deflagrada nesta quarta-feira, 2, na capital amazonense, que cumpria mandado de busca e prisão contra ele. O empresário é pai das gêmeas Gabrielle e Isabelle Lins, investigadas no caso dos “fura-filas” da vacinação.

A operação investiga irregularidades no aluguel do Hospital Nilton Lins, usado como hospital de campanha para combater a Covid-19, em Manaus. A PF apreendeu duas armas, ambas legalizadas, na casa do empresário. Em nota, a defesa de Nilton Júnior informou que ele teria confundido a ação com um assalto, por isso efetuou dois disparos de alerta dentro da casa.

“Por conta de um assalto sofrido anteriormente em sua residência, o empresário Nilton Lins Júnior pensou se tratar de uma nova ocorrência semelhante e disparou dois tiros de alerta dentro de casa. Não houve feridos e a situação foi prontamente esclarecida diante das autoridades presentes”, diz a defesa, em nota.

Ainda segundo a defesa, o empresário não se dirigiu a nenhum local e permaneceu em casa durante toda a manhã acompanhando o desdobramento da operação. “O Grupo Nilton Lins segue firme na disposição em colaborar para o esclarecimento dos fatos perante os órgãos e entidades competentes”, conclui a defesa.

Relembre

Gabrielle e Isabelle foram nomeadas pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), na véspera do início da vacinação na cidade, no dia 18 de janeiro deste ano, para cargos comissionados no Executivo Municipal. Com isso, as gêmeas passaram a atuar como médicas na Unidade Básica de Saúde (UBS) Nilton Lins.

No dia 19 de janeiro, as irmãs receberam a primeira dose da vacina contra Covid-19, mesmo não sendo do grupo prioritário para a imunização. Nas redes sociais, as médicas divulgaram imagens registrando o momento em que foram vacinadas.

Veja também: Médicas da família Lins ‘furam’ fila da vacinação após nomeação feita por David Almeida para Semsa

Órgãos de controle do Amazonas acusaram as médicas de tirar a vez de funcionários da Saúde que atuam na linha de frente contra o novo coronavírus desde o início da pandemia. O caso ganhou repercussão nacional, fazendo com que as jovens ficassem conhecidas como “fura-filas”. A juíza federal Jaiza Fraxe chegou a acatar, em janeiro, uma ação coletiva contra o prefeito de Manaus para suspender a vacinação.

Mesmo após a magistrada determinar que as pessoas que furaram fila da vacina contra a Covid-19 não teriam direito de receber a segunda dose do imunizante e estariam sujeitas à prisão em flagrante, as irmãs Gabrielle e Isabelle receberam a segunda da vacina Covid-19 no dia 10 de fevereiro, segundo uma consulta feita pela REVISTA CENARIUM na época.

Veja também: Mesmo proibidas pela Justiça, irmãs médicas ‘fura-filas’ recebem 2ª dose da imunização em Manaus

Por meio de nota, no entanto, a assessoria de comunicação de Isabelle e Gabrielle Lins declarou à CENARIUM, em fevereiro, que as irmãs não haviam sido citadas na decisão judicial de Jaiza Fraxe, razão pela qual não estariam impedidas de tomar a segunda dose da vacina

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Exoneração

Após dois dias das irmãs Lins serem vacinadas, em meio à pressão do escândalo dos ‘fura-filas’ envolvendo servidores na imunização contra Covid-19, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), exonerou no dia 12 de fevereiro, 12, Gabrielle e Isabelle Lins e mais cinco gerentes de projetos depois de 25 dias da nomeação controversa.

Veja também: Pressionado por escândalo dos ‘fura-filas’, David Almeida exonera irmãs Lins e mais cinco servidores

Em nota à imprensa na época, a assessoria de comunicação das irmãs Lins declarou que a exoneração ocorreu por solicitação das mesmas e surgiu após a situação ficar “insustentável” e comprometer o ambiente de trabalho na Unidade Básica de Saúde onde as gêmeas estavam lotadas.

“Diante de outras possibilidades de colocação, não havia porquê Gabrielle e Isabelle permanecerem ali com todo o desgaste que se criou, já que muito longe de qualquer favorecimento o intuito de todos os médicos era atender o chamado da prefeitura”, diz trecho da nota.