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6 de dezembro de 2021
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Com informações Rede Brasil Atual

SÃO PAULO – A pandemia reforçou a distância entre mulheres e homens no mercado de trabalho, aponta levantamento do Dieese divulgado em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda-feira, 8. Elas “seguiram ganhando menos, mesmo quando ocupavam cargos de gerência ou direção”, ou tendo a mesma escolaridade.

Além disso, “parcela expressiva de mulheres perdeu sua ocupação no período da pandemia e muitas nem buscaram uma nova inserção”, diz o Dieese. Do terceiro trimestre de 2019 até igual período do ano passado, elas perderam 5,7 milhões de postos de trabalho e o desemprego aumentou em 504 mil. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.

Taxa alarmante

Ainda de acordo com o estudo, em 2020 a taxa de desemprego das mulheres negras e não negras cresceu 3,2 e 2,9 pontos percentuais, respectivamente. No caso das negras, “atingiu a alarmante taxa de 19,8%”. A das não negras foi de 13,5%.

Um setor bastante atingido foi o do serviço doméstico: 1,6 milhão de mulheres perderam o trabalho, sendo 400 mil com carteira assinada. “Já o contingente de trabalhadoras informais, exceto das do emprego doméstico, passou de 13,5 milhões para 10,5 milhões, indicando outro grupo expressivo que perdeu o trabalho e a renda”, aponta o instituto.

Exclusão social

“Os resultados para este contingente de mulheres negras e mais pobres refletiram um agravamento da situação de pobreza e de exclusão social”, afirma ainda o Dieese. “E, para muitas, foi necessário sair de casa para buscar uma inserção, ou seja, escolher entre algum trabalho e renda ou a proteção de sua vida e da família.”

Na faixa de mulheres com maior escolaridade, que foram realizar seu trabalho em casa, o rendimento médio por hora aumentou, mais por efeito estatístico, segundo o Dieese. Saíram as de menor renda e permaneceram as que ganhavam mais.

Mas a diferença segue grande: entre as negras, R$ 11,55/hora e entre as não negras, R$ 20,79. Apesar do aumento, fatores como filhos, cuidado com idosos, afazeres domésticos e as longas jornadas “tenderam a agravar problemas de saúde física e mental dessas mulheres”.