‘Pânico’: franquia que renovou o horror nos anos 1990 chega ao quinto filme, apostando na nostalgia dos fãs

Com informações do InfoGlobo

Todos os filmes de terror são ridículos, não seriam ridículos, se não fossem filmes de terror. Ciente disso, a franquia “Pânico” sempre prezou pelos sustos sem deixar de rir dos clichês. O primeiro longa, de 1996, já trazia jovens da fictícia Woodsboro, na Califórnia, ameaçados por um serial killer e comparando-se às incautas vítimas de séries como “Sexta-feira 13” e “Halloween”.

“Pânico” desconstruiu, atualizou e ressuscitou seu gênero, gerando três sequências (em 1997, 2000 e 2011) e uma série de TV que dobraram a aposta na metalinguagem — com direito a uma série fictícia de filmes, “Facada”, que existe dentro dos próprios filmes. Se a repetição afastou os críticos, os fãs se mantiveram fiéis.

E eles voltaram, sem medo, para o quinto capítulo da série, que estreou quinta em 865 salas do Brasil, um terço das telas do País. Nos EUA, o primeiro fim de semana de bilheteria rendeu pelo menos US$ 30 milhões (número atualizado até o fechamento desta edição), o mais alto faturamento da franquia. O filme também conseguiu a façanha de tirar “Homem-Aranha: Sem volta para casa” do topo do ranking.

O consenso entre nomes do mercado, críticos e fãs é que a expectativa em torno do novo filme se construiu a partir de um ativo fundamental no entretenimento do século XXI: nostalgia. Intitulado “Pânico” como o primeiro filme (em inglês, “Scream“), o longa é o primeiro sem o diretor Wes Craven (1939-2015). Mas traz de volta o roteirista Kevin Williamson como produtor-executivo e parte do elenco original — além de apresentar jovens personagens que, introduzidos de maneira estratégica (sem spoilers!), podem representar o futuro da série.

— Os pôsters, os teasers, os trailers, toda a campanha de marketing da Paramount puxa pelo legado da série. É uma homenagem aos fãs, que mantiveram a série viva. O novo filme é uma culminação deste movimento — diz Matheus Santana da Silva, 27 anos, soteropolitano que comanda a Scream Movies Brazil, que ele define como uma “plataforma de ações relacionadas à franquia Pânico”. — Impressiona o carinho que os novos diretores (Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, dupla do elogiado “Casamento sangrento”, de 2019) demonstram com o que veio antes.

Reverência ao passado

É celebrado entre fãs o fato de que os novos diretores escreveram aos três “sobreviventes” de “Pânico 4” (não é spoiler, o legacy cast está no cartaz) pedindo para que os atores voltassem à série. David Arquette (que vive Dewey), Courteney Cox (Gale) e Neve Campbell (Sidney) atenderam o pedido por valores não revelados, mas que devem compensar o investimento.

“Eles tiveram um cuidado admirável, que eu, como fã, sempre quis que houvesse — comenta Matheus. Tanto Gillett quanto Olpin recordam a experiência de assistir ao primeiro “Pânico” no início de suas adolescência. Sim, os dois tiveram pesadelos com a icônica máscara usada pelo assassino Ghostface”, que, diz a lenda, foi encontrada por acaso em uma casa que serviria de locação ao filme. Mas ficou também a lembrança de entrar em contato com uma espécie de “dicionário do terror”.

“O filme foi uma porta de entrada do horror para toda uma geração, porque era como uma enciclopédia de tudo que havia de bacana no gênero”, diz Gillett.

Olpin complementa: “Foi o primeiro filme a que eu assisti que comentava a sua própria história e que também fazia referência às obras que tinham lhe antecedido.

Algumas obras eram, claro, do próprio diretor. Antes de ressuscitar o terror nos anos 1990, Wes Craven já havia deixado sua marca em clássicos como “Quadrilha de sádicos” (1977) e a série “A hora do pesadelo”, do apavorante Freddy Krueger. Como é notado nos fóruns de “Pânico”, Craven é citado sempre que possível em todo o material do novo longa — o filme é dedicado a ele e há inclusive um personagem chamado Wes.

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