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25 de julho de 2021
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Com informações da Folha de S. Paulo

CIDADE DO VATICANO – O papa Francisco, 84, está alerta, respirando sem assistência de aparelhos e em boas condições gerais depois de passar por procedimento cirúrgico para remover parte do seu cólon, informou o Vaticano nessa segunda-feira, 5. O pontífice, no entanto, deve permanecer internado por pelo menos sete dias.

De acordo com o porta-voz Matteo Bruni, a cirurgia a que Francisco foi submetido — uma hemicolectomia esquerda, procedimento em que parte do cólon é removida— durou três horas e foi conduzida por dez profissionais do hospital Gemelli, em Roma.

Foi a primeira vez que o Vaticano deu detalhes sobre a natureza específica da cirurgia, programada para tratar um quadro de estenose diverticular, doença em que se formam “bolsas” na camada muscular do cólon, tornando-a mais estreita. Além de causar dor, a condição pode provocar distensão abdominal, inflamações e dificuldades para evacuar. Trata-se de um diagnóstico mais comum em idosos.

Grande parte das pessoas convive com a doença de forma assintomática. A depender do estreitamento do cólon, porém, pode haver obstrução intestinal e, por isso, há necessidade de realizar uma operação, durante a qual a parte obstruída do intestino é retirada e as extremidades são ligadas uma à outra. Casos nos quais o atendimento médico e a cirurgia são postergados podem levar à perfuração intestinal.

O papa chegou ao hospital às 15h (10h, no horário de Brasília) desse domingo (4), acompanhado de seu motorista e de um colaborador próximo. Francisco permanecerá internado em um quarto do décimo andar do hospital romano, o mesmo usado por João Paulo 2º diversas vezes após o atentado em 1981 e durante o tratamento de seus vários problemas de saúde.

As janelas do quarto permaneceram fechadas durante toda a noite. Esta foi a primeira vez que o papa Francisco precisou ser internado desde que assumiu a liderança da Igreja Católica, em 2013.

O pontífice suspendeu as audiências gerais das quartas-feiras durante o mês de julho e não tem encontros programados em sua agenda oficial até o próximo domingo, 11, quando deverá aparecer na varanda do palácio apostólico para a tradicional oração do Ângelus.

Nascido em 17 de dezembro de 1936 na Argentina, Jorge Bergoglio, nome de nascimento do papa, teve o lobo superior do pulmão direito removido aos 21 anos, devido a uma pleurisia. Ele sofre de problemas nos quadris e no nervo ciático, condição que causa dor crônica que se irradia da parte inferior das costas até os pés. No período em que foi arcebispo de Buenos Aires, era acompanhado por um acupunturista.

Foram poucas as ocasiões nas quais o pontífice se ausentou por questões de saúde. Em 1º de janeiro, ele deixou de conduzir a tradicional missa de Ano-Novo em razão de um problema no nervo ciático.

O papa tem ainda cálculos biliares —condição na qual as substâncias que formam a bílis, líquido usado na digestão de alimentos, solidificam-se — e teve um problema cardíaco temporário em 2004, após o estreitamento de uma artéria. Problemas no fígado foram resolvidos ao longo dos últimos anos com uma mudança em sua dieta. “Não tenho medo da morte”, confidenciou ele em 2019 durante uma entrevista ao jornalista argentino Nelson Castro, que escreveu um livro sobre a saúde dos papas.

Na obra, Francisco conta que, mesmo após a dor intensa que sentiu depois da operação no pulmão a que foi submetido, tinha convicção de que seria curado. “Nunca senti limitação em minhas atividades. Mesmo em várias viagens internacionais nunca tive que limitar ou cancelar nenhuma das atividades programadas”, disse o pontífice na ocasião. Ele também revelou que manca devido a um problema causado pelo pé chato, o que se acentua quando está cansado.