2 de dezembro de 2020

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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Assim como a morte do homem negro George Floyd teve grande repercussão em maio deste ano, após ele ser asfixiado durante uma abordagem policial criminosa, no Brasil milhares de pessoas foram às ruas nessa sexta-feira, 20, e neste sábado, 21, em diversas capitais para protestar contra a morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos.

No Rio de Janeiro, um grupo fez um protesto em um supermercado da Zona Oeste. Na ocasião, os manifestantes encheram carrinhos de compras e bloquearam a saída de clientes, nos caixas. Entre eles estavam os cantores Nego do Borel e Pretinho da Serrinha. No fim da tarde, a gerência fechou a loja.

Em São Paulo as manifestações tomaram mais força. Um grupo de artistas pintou a hashtag #VidasPretasImportam” em uma das pistas da Avenida Paulista, sentido Rua da Consolação, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). O coletivo iniciou a pintura na noite desta sexta-feira, 20, e terminou por volta das 5h deste sábado, 21.

Ainda na sexta, um outro grupo atacou uma loja do Carrefour durante uma manifestação. No fim da tarde, manifestantes caminharam até uma unidade do Carrefour. Ao chegar, o grupo quebrou portas, atirou pedras e conseguiu entrar na loja, onde teve mais quebra-quebra. O carro de um cliente, que estava na porta, foi depredado.

Em marcha pelo Centro de Belo Horizonte, os participantes do protesto convocado ocuparam, na tarde dessa sexta-feira, uma unidade da rede de supermercados. Os manifestantes tomaram, por cerca de dez minutos, o espaço do estabelecimento anexo ao Shopping Cidade, na Rua São Paulo.

Manifestantes ficaram por cerca de dez minutos no interior do supermercado (Reprodução/ Internet)

Em Curitiba, o ato foi convocado pelas redes sociais e reuniu mais de 250 pessoas no fim da tarde de sexta. Com faixas, eles entraram pelo estacionamento e gritavam palavras de ordem. O supermercado, então, fechou as portas. O ato de Curitiba foi convocado pelo coletivo Renato Freitas e CWB Resiste.

Em Fortaleza, um grupo vestido de preto entrou numa loja da rede e pediu o fim do racismo. A motivação do ato foi contra a violência dentro sistema prisional do Ceará. O ato foi marcado por amigos e familiares de pessoas do sistema penal do Estado aconteceu de forma pacífica e iria terminar próximo à SAP (Secretaria de Administração Penitenciária).

Mas não foi o que aconteceu. De forma truculenta, o batalhão de choque da Polícia Militar, comandada nessa gestão por Camilo Santana (PT-CE), avançou sobre a manifestação. Duas mulheres foram agredidas e detidas. Spray de pimenta, bomba de efeito moral e balas de borracha foram usadas contra as familiares.

Em Brasília também houve protesto. Um grupo de moradores do Distrito Federal realizou um ato. Na capital federal, com cruzes nas mãos, o grupo pediu que os clientes não fizessem compras no supermercado. Além disso, levantavam cartazes com frases como “vidas negras importam”.

Em Brasília, manifestantes vestiram preto, levaram cruzes e ergueram faixas em frente a uma unidade da rede de supermercados (Reprodução/ G1)

Crime no Rio Grande do Sul

Um homem negro foi espancado e morto por dois homens brancos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite de quinta-feira,19, véspera do Dia da Consciência Negra. João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi agredido em uma unidade do supermercado Carrefour. As imagens da agressão foram gravadas e circulam nas redes sociais.

Os dois suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o crime como homicídio qualificado.

Um dia depois do brutal assassinato de um homem negro em Porto Alegre, o presidente Jair Bolsonaro postou uma série de mensagens no Twitter nas quais nega racismo no Brasil, diz que é “daltônico” por não ver cor de pele e em nenhum momento menciona o caso.

Para Bolsonaro, quem prega conflitos e discórdia deve ir para o “lixo”. A manifestação do presidente ocorreu na noite desta sexta-feira, 20, Dia da Consciência Negra, quando ele afirmou que os problemas do País vão além das questões raciais.

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