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24 de julho de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – No depoimento prestado nesta terça-feira, 15, na CPI da Pandemia, o ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, esclareceu algumas datas em que o governo estadual solicitou apoio logístico do Ministério da Saúde (MS) para abastecer o Estado com oxigênio. De acordo com Campêlo, o apoio foi solicitado ainda no dia 7 de janeiro deste ano.

“No dia 7 [de janeiro] tratamos com o ministro Pazuello e com o Comando Militar da Amazônia. Enviamos ofício ao Ministério da Saúde no dia 9, dia 10, 11, 12 e 13. Falei ao telefone, pediu [o Pazuello] pra entrar em contato com o CMA [Comando Militar da Amazônia] para prestar apoio logístico. Nesse contato do dia 10, pessoalmente, em que ele estava em Manaus, marcou uma reunião no dia 11 para tratar com a White Martins [a empresa fornecedora do insumo no Amazonas] sobre esse assunto. A White Martins solicitou apoio logístico e Pazuello determinou ao coronel Moura para tratar sobre isso”, lembrou.

O detalhamento do ex-secretário é reforçado por investigação da Polícia Federal na qual inquéritos confidenciais, voltados a investigações de crimes possivelmente cometidos pelo ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, revelaram que tanto ele quanto o comando do Exército, na Amazônia, foram avisados formalmente sobre a “ameaça de esgotamento” de oxigênio em Manaus.

A descoberta se deu em investigação determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos documentos, inclusive, consta o pedido de socorro realizado cinco dias antes da crise vivida pelos amazonenses em janeiro deste ano, porém sem resposta aos apelos de socorro. Em matéria publicada pela Folha de São Paulo consta que os ofícios foram enviados e assinados pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC).

Itamaraty

Quanto à atuação do Itamaraty no apoio ao governo estadual, Marcellus Campêlo pontuou que a problemática no Estado não foi sobre produção de oxigênio mas sim de logística, já que era necessário ter ajuda para transportar o insumo ao Amazonas. Campêlo ressaltou ainda que solicitou que o Ministério das Relações Exteriores intermediasse as tratativas para compra de oxigênio com outros países.

“O problema, segundo a White Martins, não era de produção, mas de logística para trazer. Há documentos para o Ministério de Relações Exteriores pedindo essa intermediação com o governo americano. Enfim, as tratativas com os governos de outros países tinha que ser através do governo federal. O governo do Amazonas tentou diversos contatos para melhorar a logística de trazer oxigênio”, disse.

A indicação da omissão do Governo Bolsonaro com o Amazonas foi pontuada ainda no depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo na CPI da Pandemia, no dia 18 de maio. Na sessão, o principal assunto foi em relação à doação de 107 mil metros cúbicos do insumo feita pelo governo venezuelano ao Estado amazonense.

Questionado pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), se houve contato com a Venezuela para viabilizar a doação de oxigênio para o Estado, Ernesto afirmou que não houve e que “a doação foi oferecida pelo governo venezuelano”.

Ofícios

Os ofícios obtidos pela Polícia Federal mostram que nos dias 7 e 8 de janeiro, a empresa White Martins comunicou a Secretaria de Saúde do Amazonas sobre a proximidade de escassez do insumo que, por sua vez, enviou um e-mail ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, assinado pelo então secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo.

No dia 9, o governador Wilson Lima mandou um ofício ao comandante militar da Amazônia, solicitando auxílio para o transporte de 36 tanques de oxigênio, em “caráter de urgência”, que também estariam disponíveis em Guarulhos, às 16h, de 10 de janeiro. Dois dias depois, o governo do Estado também solicitou auxílio para transporte de microusinas e geradores. Todo o transporte dos insumos foi feito de forma escalonada.