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21 de outubro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – De acordo com a terceira edição do estudo anual “Diversidade na Comunicação de Marcas em Redes Sociais” realizada pela Elife e pela agência SA365, a representatividade LGTBQIA+ teve uma queda em 2020. O estudo divulgado em junho tem objetivo de constatar a presença de grupos minoritários na publicidade do Brasil.

De 1902 posts analisados nas redes sociais, a representatividade LGBT somou apenas 3% das imagens publicadas. Vale ressaltar que redes sociais como Facebook e Instagram também foram incluídos na análise com 20 principais anunciantes do País em um período que compreende janeiro a dezembro de 2020.

O publicitário amazonense Thiago Reis pondera várias vertentes que possam ter contribuído para que essa queda ocorresse. Segundo o profissional, existe uma representatividade, mas, em períodos específicos, ele ressalta para uma sazonalidade em que a maioria das empresas abraça a causa LGBTQIA+ ou usa a “imagem” da comunidade.

“É um discurso real da comunidade falar que as empresas se utilizam desse mês representativo e, assim que o mês termina, a camisa é guardada, colocada no fundo do armário e não se fala mais nisso. Não existe por meio das grandes marcas um apelo, um querer fazer dessa bandeira algo presente o ano todo. Isso também contribui para uma falta de representatividade real durante o ano e também pode ter influenciado nessa queda”, pontua o publicitário.

As campanhas costumam aumentar no mês de junho, mês voltado ao Orgulho LGBTQIA+ (Reprodução/Internet)

Medo empresarial

Thiago também destaca o receio das empresas de veicularem a imagem às causas não só da comunidade LGBTQIA+, mas com outras questões mais “sensíveis” como raciais. E classifica como “retrógrado” o pensamento de uma parte dos empresários em relação ao tema.

“Como publicitário que faz campanhas efetivas e que trabalha com isso afirmo que tentamos inserir esses discursos representativos seja LGBT ou racial, por exemplo, e percebo que a empresária tem muito medo de atrelar sua marca e rechaçarem e isso acaba barrando a possibilidade de abrir um espaço maior no que diz respeito à representatividade LGBTQIA+”, explica Thiago.

Políticas contrárias

Para a publicitária Taíz Alfaia, outro fator que conta para que “Diversidade na Comunicação de Marcas em Redes Sociais” apontasse essa queda é o cenário político atual em que o Brasil vive. Ela ressalta que “políticas repreensivas” e constantes tentativas de fazer com que pessoas LGBTQIA+ sejam mal vistas pela sociedade acabam se tornando uma ferramenta que causa efeitos negativos.

Ela relembra o Projeto de Lei criado pela deputada estadual Marta Costa (PSD), de São Paulo, em abril deste ano, que visava proibir publicidade, por meio de qualquer veículo de comunicação e/ou material de mídia que contivesse alusão a preferências sexuais e movimentos sobre diversidade sexual relacionados a crianças no Estado de São Paulo.

A intenção do projeto repercutiu em todo o País, diversos movimentos ligados à comunidade LGBTQIA+ se pronunciaram contra a iniciativa da deputada, bem como alguns publicitários e agências de publicidade. 

“Percebo muito que a política não tem ajudado nesse âmbito. O próprio presidente Jair Bolsonaro se posiciona contra a população LGBT em muitos sentidos e muitas pessoas, em pleno século 21, infelizmente pensa como ele e reflete nos negócios afetando dentre outras coisas, essa parcela que já enfrenta outros problemas no cotidiano e não só a baixa representatividade”, destaca a publicitária manauara de 27 anos.

Números tímidos

O levantamento aponta ainda que em meses como setembro e outubro de 2020 realizadas houve soma de três campanhas com a temática. Já em dezembro do mesmo ano foram contabilizados apenas 10 publicações, em junho (mês voltado ao Orgulho LGBTQIA+) foram 13 publicações e no mês de março nenhuma campanha realizada. A pesquisa foi realizada com base na presença de pessoas LGBTQIA+ ou representação de relações afetivas de forma clara entre as pessoas nas campanhas.

De acordo com o site Metrópoles, a executiva e gerente de projetos da Elife, Aline Araújo, responsável pelo estudo, classificou o resultado como uma “surpresa negativa”. Ela afirma que é o segundo ano consecutivo que o levantamento mostra uma queda na visibilidade de pessoas LGBTs na comunicação.

“O que vai na contramão de outros comportamentos crescentes nas redes sociais: representatividade sendo cada vez mais discutida, influenciadores e figuras públicas ganhando mais espaço nos seus canais. As grandes marcas ainda aproveitam pouco o potencial da inclusão e da diversidade”, conclui a executiva.