Petrobras sai do Amazonas, alega endividamento, mas decisão deverá gerar novos empregos

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium*

MANAUS – Ao alegar endividamento em comparação aos demais pares, a Petrobras anunciou a saída das operações do Estado do Amazonas nessa sexta-feira, 26. No entanto, segundo nota enviada à REVISTA CENARIUM, a decisão irá impactar positivamente por conta da geração de novos empregos. A empresa alegou ainda que a venda dos ativos da Bacia de Solimões está alinhada à estratégia de otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia.

De acordo com o economista Marcus Evangelista, com a venda, a chegada de novos investidores é vista como positiva, uma vez que processo de desinvestimento dos campos não prevê demissões de empregados da Petrobras. “O que entendemos que vai acontecer? Sai a Petrobras, mas entram novos investidores. Isso pode atrair. Não vejo um problema para a nossa região. Haverá uma geração de novos empregos. Não acredito que seja endividamento, eles só vão mudar para outro setor”, disse.

O Polo da Bacia de Solimões, que está a venda, compreende Urucu, que possui sete concessões de produção (Araracanga, Arara Azul, Carapanaúba, Cupiúba, Leste do Urucu, Rio Urucu, Sudoeste Urucu), nos municípios de Tefé e Coari, ocupando uma área de aproximadamente 350 km².

Por outro lado, o também economista e deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), informou que é necessário que o Governo do Amazonas se articule para tentar impedir a saída da empresa do Estado. “É preciso essa conversa. A Petrobras está saindo por várias razões. Vamos perder nossa maior contribuinte de impostos do Amazonas e isso é muito ruim”, afirmou.

Além disso, essas iniciativas deverão contribuir para a redução do endividamento da Petrobras, que ainda é elevado quando comparado com a de seus pares.

A empresa acredita que a entrada de novos players no segmento de óleo e gás nos campos terrestres no estado do Amazonas irá alavancar o desenvolvimento da região não somente pelo potencial aumento de produção e reservas, mas também pelo consequente aquecimento de toda a cadeia de serviços relacionada à atividade de exploração e produção.

Posicionamento

Por meio de nota enviada à REVISTA CENARIUM, a empresa diz acreditar que “a entrada de novos players no segmento de óleo e gás nos campos terrestres no estado do Amazonas irá alavancar o desenvolvimento da região como ocorreu com a entrada de novos atores no setor de óleo e gás, foi a venda em 2019 do campo de Azulão, na Bacia do Amazonas, que tem resultado em investimentos para viabilizar a produção de gás e geração de energia com o consequente aquecimento da economia local”.  

Enquanto a Petrobras vai concentrar investimentos em ativos que geram mais retorno e nos quais a companhia vêm demonstrando grande diferencial competitivo ao longo dos anos, como os campos do pré-sal, e em particular o campo de Búzios cujo excedente da cessão onerosa foi adquirido em consórcio pela Petrobras em 2019, novos players podem investir em outras áreas, proporcionando maior dinamismo ao setor de óleo e gás. O estado do Amazonas já possui um setor diversificado com diferentes atores além da Petrobras atuando na geração de energia.

Questionada sobre os empregos, a Petrobras informou que o processo de desinvestimento dos campos não prevê demissões de empregados da Petrobras. “Todos serão realocados para outras unidades da companhia. As transferências levarão em conta a melhor adequação entre os perfis dos empregados e as atividades e processos nas lotações disponíveis. Caso haja interesse, outra opção é a adesão ao Plano de Desligamento Voluntário (PDV) específico, conforme prevê o plano de pessoal para gestão de portfólio”.

O teaser com as principais informações sobre a oportunidade, bem como os critérios de elegibilidade para seleção de potenciais participantes, está disponível no site da companhia.

(*) Com informações da assessoria

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