PF desmente que corpos de desaparecidos foram encontrados; operação entra no 6° dia

Ívina Garcia – Da Revista Cenarium

MANAUS – O rumor de que os corpos de Bruno Pereira e Dom Phillips, desaparecidos desde o último dia 5, haviam sido encontrados durante as buscas foram desmentidos pela Polícia Federal por meio de uma nota, à imprensa, publicada na tarde deste sábado, 11.

“Não procedem as notícias que estão circulando nas redes sociais no sentido de que os corpos dos desaparecidos foram encontrados”, informa um trecho da nota.

No documento, a Polícia Federal declara, ainda, que há um empenho “para que haja o retorno, o quanto antes, dos senhores Bruno Pereira e Dom Phillips, para seus entes queridos” e que continuam realizando buscas na região do Rio Itaquaí, último local onde a dupla foi vista.

Sem confirmação

Na noite de sexta-feira, 10, publicações confirmando o encontro dos corpos do indigenista e do jornalista começaram a ser disseminadas, nas redes sociais, e reproduzida em grupos e perfis pessoais. A CENARIUM entrou em contato com o superintendente da Polícia Federal, Eduardo Fontes, que por ligação informou serem “inverídicas as notícias espalhadas”.

Em contato com a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que tem colaborado com atualizações e com as buscas pelos desaparecidos, o posicionamento obtido é de que, até o momento, não há informações sobre o encontro de corpos.

PF afirma que a notícia não procede (Reprodução/Internet)

Restos Orgânicos

Equipes de buscas da Operação Javari, coordenadas pela Polícia Federal do Amazonas (PF-AM) encontraram na sexta-feira, 10, material orgânico aparentemente humano, próximo ao porto de Atalaia do Norte, durante as buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips.

As evidências foram encaminhadas ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que também está realizando a análise nas amostras de sangue encontradas na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como “Pelado”, cuja prisão temporária foi decretada na data de quinta-feira, 9.

Leia mais: Polícia Federal do AM encontra material orgânico ‘aparentemente humano’ próximo ao porto de Atalaia do Norte

As evidências foram encaminhadas ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal (Divulgação)

Pedido de Colaboração

Na tarde de quinta-feira, 9, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi) assinaram uma carta, ao governo do Peru, pedindo colaboração nas buscas pelo indigenista e pelo jornalista.

De acordo com as associações, o embaixador do Peru, no Brasil, Rómulo Acurio, respondeu, prontamente, e expressou o interesse no “acompanhamento dos fatos divulgados pela mídia nacional e internacional e informou que transmitiu, imediatamente, a solicitação às autoridades peruanas”, relatam.

A área onde ocorreu o desaparecimento, no Vale do Javari, fica próximo à fronteira com o Peru e as associações relatam a possibilidade de ligação entre agentes criminosos que atuam no tráfico internacional de drogas e o sumiço dos dois.

Sobre o caso

O caso aconteceu no domingo, 5, após Bruno e Phillips receberem ameaças em campo, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). A organização afirma que o indigenista era ameaçado, constantemente, por sua atuação contra invasores na região: pescadores, garimpeiros e madeireiros. Já o jornalista, apaixonado pelo Brasil, era conhecido por reportagens denunciando as violações dos direitos dos indígenas e vinha trabalhando em um livro sobre meio ambiente.

Desde segunda-feira, 6, equipes da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), da Univaja e da Marinha do Brasil estão atuando nas buscas pelo ativista e pelo jornalista. A Polícia Federal e o Exército também enviaram reforços. Além disso, a PC-AM instaurou um inquérito policial para investigar o caso.

Leia a nota na íntegra:


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