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26 de janeiro de 2022
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Priscilla Peixoto – Da Cenarium

MANAUS – O hábito de pintar as unhas não é algo novo e o embelezamento remete aos tempos que antecedem a era cristã com relatos de 3.500 a.C. Naquela época, as mulheres já apresentavam o costume em colorir essas pequenas “lâminas de queratinas” das pontas dos dedos. A prática que perdura gerações é considerada por aqueles que estudam o comportamento humano muito mais que uma simples vaidade.

A psicóloga e psicoterapeuta Marcelly Gobato ressalta alguns pontos diretamente ligados aos que não abrem mão de deixar as unhas sempre belas. “Pode não parecer, mas poucos percebem que essa prática vai muito além da vaidade ou algo supérfluo. Aí está inserido o cuidado pessoal associado à higiene física e mental que influencia na autoestima”, ressalta a psicóloga.

Para a especialista, pintar as unhas pode expressar um momento na qual a pessoa, geralmente uma mulher, está passando, além de ser uma forma alternativa de assinatura da personalidade. “Ela coloca ali a identidade, a personalidade, até mesmo o estado de espírito e estado mental que ela está querendo apresentar”, pontua Marcelly, atenta para detalhes significativos ligados à autoestima, beleza e saúde mental.

“Quando você tem sensações de satisfação em alguma áreas da vida, você aumenta níveis de autoestima, principalmente quando se enxerga bonita e bem cuidada e a fazer as unhas para algumas pessoas tem essa relação bem significativa. Por isso, neste momento, você de quebra cuida da sua saúde mental, até porque o corpo afeta a mente e mente afeta o corpo”, explica.

Esmaltar as unhas influencia na autoestima (Reprodução/Pinterest)

Sem fazer as unhas

Marcelly também pontua critérios de autocuidado que devem sempre ser levados em consideração. Ela conta que é preciso analisar antes de tudo a própria satisfação e o conforto, uma vez que a sociedade constantemente impõem critérios e padrões que praticamente “escravizam” indivíduos no que é considerado belo, como um único padrão a ser seguido.

“Quando você procura promover esse autocuidado, pare e volte pra si mesmo e veja o quanto isso te deixa feliz, confortável ou se você está só seguindo o efeito da correnteza. Se você é mulher e faz parte da turma que não gosta de pintar, alongar, fazer arte e prefere apenas deixá-las naturais está tudo bem. Você não vai ser menos bonita por isso, o que vale é prezar pelo seu conforto, se sinta livre, feliz e satisfeita, alerta a psicóloga.

Psicóloga Marcelly Gobato fala sobre o hábito de pintar as unhas (Reprodução/Programa Diversidade)

Do hábito ao ofício

Conhecida no mercado como Decca Bellas Unhas, a nail designer Jéssica Fontes, de 28 anos, viu na arte de pintar e decorar as unhas uma oportunidade de renda. Há quase um ano ela se dedica em cuidar e embelezar as unhas e mãos das clientes. Além de uma profissional do ramo da estética, Decca conta que o trabalho exercido por ela também é uma espécie de divã e um momento de acolhimento para muitas mulheres.

“O serviço acaba se tornando um momento de relaxamento. Ouso afirmar que 90% das minhas clientes apresentam traços de ansiedade e baixa autoestima. Com o tempo, conversando e cuidando das mãos delas, elas começam a se sentir mais confiantes. Isso porque nosso trabalho devolve o prazer de se arrumar e após as unhas vem o cabelo, aí vem a roupa, maquiagem e isso vira uma composição.”, conta a nail designer.

Decca fez da esmaltação uma fonte de renda (Reprodução/Instagram)

Paixão pela esmaltação

Para a assistente administrativa Stephany Caroline, o amor pelo colorir as unhas começou desde nova. Ela conta que na infância, pelas baixas condições da família, aprendeu em casa a cuidar da aparência não só das unhas, mas também da saúde do cabelo e maquiagem. Stephany não é da turma das unhas alongadas, mas não dispensa uma boa esmaltação em dia.

“Eu sempre tive paixão pela esmaltação, mas ter acesso a produtos de beleza e ir em manicure era luxo, então aprendi em casa mesmo. Hoje, faço tudo muito bem sozinha, como esmaltar e brincar com as cores pra mim são um hobby. Realmente sinto prazer fazendo isso, tanto que faço vídeos para o Instagram incentivando outras pessoas a fazerem também, principalmente em tempos de pandemia”, diz Stephany.

Normalmente as muçulmanas costumam esmaltar as unhas nos dias em que estão menstruadas (Reprodução/ Internet)

Curiosidades históricas

  • Registros históricos dão conta de que as mulheres egípcias tingiam as unhas com henna preta. Cores como o vermelho, por exemplo, eram reservados para o uso da realeza. Diversos textos publicados em sites que abordam temas ligados à história da moda, afirmam que Cleópatra tinha preferência pelos tons vermelho escuro.
  • Assim como os egípcios, os chineses também usavam os esmaltes como ferramenta de distinção social. Em meados do século 7 a.C, durante a dinastia Chou, as cores prata e dourada só poderiam ser usadas pelos que ocupavam um lugar de privilégio. Eles usavam uma espécie de pasta na unhas e soluções que mais tarde mudariam para as cores vermelha e preta.
  • Se para as mulheres de países como o Brasil é tão comum pintar as unhas, o mesmo não acontece com as muçulmanas. Normalmente as muçulmanas costumam esmaltar as unhas nos dias em que estão menstruadas, já que neste período a mulher não pratica as cinco orações diárias. Nesse período, elas não precisam passar pelo processo de purificação para realizar as orações. Caso elas façam a esmaltação em um outro momento, o esmalte criaria uma película impermeável que não deixaria a água lavar essa parte do corpo sendo automaticamente considerado impuro para a prática religiosa.