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22 de janeiro de 2022
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Com informações do Infoglobo

BRASÍLIA — “O declarante informa que deseja usar todos os canais legais para denunciar as agressões que qualifica como racismo e por ter sido caluniado quando chamado repetidamente de ladrão, e acredita que se fosse branco não teria sofrido tais agressões”. Estes são os trechos finais do depoimento prestado por um homem negro de 23 anos agredido e sufocado no pescoço por um casal enquanto tentava entrar no seu carro, estacionado em frente ao edifício onde mora. O caso foi noticiado no domingo pelo Fantástico, da TV Globo.

A violência contra Gabriel da Silva Nascimento foi em Açailândia, no Maranhão, cidade de 113 mil habitantes a 567 km de São Luís, em 18 de dezembro. Recepcionista de uma agência da Caixa Econômica Federal, Gabriel organizava seus pertences no carro para ir ao trabalho por volta das 6h30 quando foi abordado por duas pessoas que estavam em um veículo de luxo, identificadas como o empresário Jhonnatan Silva Barbosa e a dentista Ana Paula Vidal.

Segundo o depoimento de Gabriel, Jhonnatan caminhou em sua direção e após perguntar o que ele fazia dentro do carro, passou a acusá-lo de estar roubando o veículo. O recepcionista relatou que reiterou ser o dono do automóvel e mostrou que a chave estava na ignição, mas foi chamado diversas vezes de ladrão, como confirmam imagens gravadas por câmeras de segurança de uma loja na mesma rua.

Após ser acusado tanto por Ana Paula quanto por Jhonnatan, Gabriel foi derrubado, levou chutes, tapas e foi imobilizado pelo empresário, que pôs o joelho em seu pescoço — uma cena que lembrou o caso do norte-americano George Floyd, morto pelo policial Derek Chauvin em maio de 2020, em um caso que gerou diversas manifestações do movimento Black Lives Matter nos EUA.