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27 de novembro de 2021
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Com informações da Folha de São Paulo

BRASIL – As transações feitas pelo Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, já representam 30% de todas as operações feitas por pessoas físicas e jurídicas no País, considerando pagamentos feitos por maquininha e transferências por DOC e TED.

Os dados foram divulgados nessa quinta-feira (24) pela Pesquisa Febraban, Federação Brasileira de Bancos, de tecnologia bancária feita em parceria com a Deloitte. A divulgação foi feita no congresso Ciab de tecnologia bancária, promovido pela federação. Em novembro, quando foi lançado, o Pix representava 7% de todas as transações. Em maio deste ano, as transações com Pix somaram 613,8 milhões, aumento de 22,8% em relação a abril.

Dados do Banco Central divulgados em maio deste ano também já apontavam o Pix como a transação mais popular do País, tendo ultrapassado R$ 1 trilhão em transações até abril. Crescendo mês a mês, foram R$ 307 bilhões em transações via Pix no mês, com 478,6 milhões de operações.

Ainda de acordo com o BC, a maior parte das transações feitas no País são por Pix desde março. Segundo a autarquia, de novembro a maio, o valor médio de um Pix é de R$ 717. Segundo o gerente-geral de TI do Banco do Brasil e diretor setorial de TI da Febraban, Rodrigo Mulinari, é difícil projetar o tamanho do crescimento do Pix ao longo dos próximos meses.

“A expectativa é que diante da forte adesão que o Pix tem mostrado, ele venha a se tornar o principal meio de pagamento para pessoas físicas e jurídicas no curto ou no médio prazo. O sistema tem uma agenda regulatória extensa que ainda está em construção e novos negócios estão sendo construídos ao redor desse ecossistema”, afirmou o executivo em entrevista feita a jornalistas.

Pix no comércio

De acordo com o cronograma do Banco Central, o Pix Saque e o Pix Troco que possibilitaria o recebimento de troco em dinheiro ou o saque por meio do comércio varejista e o Agendamento Pix devem ser implementados no terceiro trimestre deste ano.

“Esperamos que o varejo embarque nesse produto para oferecer novas funcionalidades a seus clientes. Ainda existe quem viaje de 30km a 40km de uma cidade a outra simplesmente para fazer um saque. Então é importante aproveitar a infraestrutura que já existe para prestar esse serviço adicional”, afirmou o diretor de organização do sistema financeiro e de resolução do BC, João Manoel Pinho de Mello, em outro painel do Ciab.

Em outro painel, o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, chegou a mencionar ainda que o Pix tem potencial para atrair mais gente para os meios eletrônicos de pagamento. “A verdade é que mais de 70 milhões de brasileiros que ainda preferem pagar em dinheiro e ainda precisamos entender as razões para isso. O Pix vai ajudar, mas ainda é uma dificuldade”, disse.

“Temos um longo caminho a ser percorrido. Pode ser uma resistência por falta de conhecimento ou pela propensão a usar canais físicos. Mas já temos um dado interessante de que mais de 11 milhões [de pessoas] que não faziam TED em novembro de 2019, hoje são usuários do Pix, com ticket médio mais baixo, o que é positivo”, completou Janaína Pimenta Attie, chefe de subunidade no departamento de competição e de estrutura do mercado financeiro do BC.

Na agenda do quarto trimestre, o BC conta com a implementação do Pix por aproximação, do Pix Offline —que permite fazer ou receber pagamentos e transferências sem conexão com a internet— e o mecanismo especial de devolução que, segundo Pinho de Mello, seria uma ferramenta para evitar fraudes.

“Esse mecanismo especial de devolução vai aumentar a rastreabilidade [dos recursos] e terá a capacidade de reprimir e dificultar a ação de fraudadores”, disse.

O diretor do BC também afirmou que apesar de não ter uma data específica para a implementação, a autarquia já iniciou as conversas para a introdução do Pix internacional, que permitirá a conexão com sistemas de pagamentos instantâneos de outros países e regiões do mundo.

A liquidação não prioritária (uma funcionalidade associada ao pagamento agendado), o Pix garantido (que permitirá o parcelamento de compras) e o débito automático estão na agenda do BC para implementação no sistema de pagamentos instantâneos em 2022.

Transações por celular e tablet ultrapassaram 50% do total pela primeira vez

Outro destaque trazido pela pesquisa foi o aumento das operações digitais. As transações bancárias feitas por dispositivos móveis, como o celular e tablet, totalizaram 52,9 bilhões de operações em 2020.

O número recorde é um avanço de 43% em relação ao observado em 2019 e, pela primeira vez na série histórica, representa mais da metade de todas as transações feitas durante o ano. Ainda segundo o levantamento, 90% de todas as contratações de crédito registradas em 2020 foram feitas por canais digitais.

O movimento, que ganhou tração diante da pandemia do coronavírus e do maior uso do mobile e internet banking pelas transações referentes ao auxílio emergencial, também teve outros efeitos na indústria bancária.

Segundo a pesquisa da Febraban, operações feitas por meio do internet banking, dos caixas eletrônicos e das agências tiveram redução de 0,1%, 8,8% e 28,3%, respectivamente, em comparação a 2019.

“Todos os tipos de transações mostraram queda nos ATMs [caixas eletrônicos], muito por conta da pandemia. Mas isso já mostra uma indústria bem preocupada com o canal, pensando em renovar ou em como melhorar o grande parque de máquinas que estão instalados pelo país”, afirmou o sócio-líder para a indústria de serviços financeiro da Deloitte Brasil, Sério Biagini.