Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
15 de outubro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Iury Lima – Da Revista Cenarium

VILHENA (RO) – A inauguração da Ponte do Abunã, que liga Rondônia ao Acre construída sobre o Rio Madeira, a partir do território de Ponta de Abunã, distrito da capital Porto Velho, ocorreu nessa sexta-feira, 7, e certamente ficou marcada como um dia histórico para a economia e desenvolvimento da região amazônica.

Com 1,5 mil quilômetros de extensão por 14 metros de largura e acostamento e passarela, a ponte chega a medir 30 metros no ponto mais alto em relação à lâmina d’água. Além de facilitar o acesso entre os dois Estados, a obra dá fim à dependência de deslocar mercadorias por meio de balsas, bem como ligar o Acre aos demais Estados brasileiros, possibilitando exportar produtos de origem nacional pela Rota do Pacífico para a Ásia e a Índia, por exemplo.

Ponte do Abunã tem 1,5 quilômetro de extensão, 14 metros de largura e custou R$ 160 milhões, segundo o Governo de Rondônia (Divulgação)

Obra

A obra faz parte do Plano Nacional de Aceleração ao Crescimento (PAC), sendo uma compensação aos impactos da construção das Usinas do Rio Madeira, provocados nos dois Estados e também realizadas pelo PAC. A construção custou R$ 160 milhões e, de acordo com o Governo de Rondônia, surgiu de uma emenda parlamentar da ex-senadora Fátima Cleide (PT-RO) em 2009. Na época, Valdir Raupp (PMDB-RO) e Expedito Júnior (PPS-RO) também assinaram o projeto. Outros nove deputados federais de Rondônia, em 2009, também contribuíram para a causa.

Projeto saiu de emenda de Fátima Cleide, ex-enadora de Rondônia, pelo PT. (Reprodução/Senado Federal)

O projeto começou a ser planejado em 2010 e foi licitado em 2013, quando Dilma Rouseff (PT) ascendeu à Presidência da República. A execução da obra começou em 2014, depois que a ex-presidente sobrevoou a capital de Rondônia durante a cheia histórica do Rio Madeira.

Aglomeração

Após sete anos de trabalho e muitas paralisações, Jair Bolsonaro (sem partido) posou para as lentes e para uma legião de apoiadores, sem usar máscara de proteção, envolvido no meio da aglomeração. A imprensa chegou a ser convidada para cobrir a recepção do presidente na base aérea de Porto Velho, mas o convite foi retirado um dia depois, pelo Governo de Rondônia, a pedido da própria Presidência da República.

O Estado se prontificou a dar esclarecimentos sobre o motivo, mas não o fez. Os registros de imagens e entrevistas só puderam ser feitos no próprio evento, do qual também participaram, além dos simpatizantes de Bolsonaro, autoridades, políticos, empresários e caminhoneiros.

Bolsonaro posa em inauguração de ponte em Rondônia, promove aglomeração e não usa máscara (Reprodução/AC24 horas)

O governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (PSL), demonstrou extrema satisfação com a presença de Bolsonaro, que veio até a inauguração da ponte com a bancada federal e ministros. Em discurso, o presidente falou em dar prioridade para obras inacabadas.

“Tudo o que tem pelo Brasil que ainda não está concluído, vamos concluir. Essa ponte é um exemplo disso. Essa obra não parou mesmo diante da pandemia, o Brasil não pode parar. Neste momento estamos unindo o Acre ao restante do país, por meio dessa obra no estado vizinho, Rondônia. Fiz minhas contas, e constatei que aqui vocês deixaram cerca de R$ 100 mil por dia para passar de um lado para o outro por balsa. Isso acabou. Além do tempo que vocês não mais gastarão, e tudo que dependia de transporte para o Acre vai diminuir em torno de 5%. É um privilégio concluir essa obra”,

Jair Bolsonaro, presidente da República
(Reprodução/Governo de Rondônia)

Economia de desenvolvimento

O Governo de Rondônia estima valorizar a produção rural dos distritos de Fortaleza do Abunã, Vista Alegre do Abunã, Extrema e Nova Califórnia, alcançados pela ponte, além de comemorar o fim da ameaça de isolamento do Acre e à alta de produtos quando há dificuldade de deslocamento por balsas, além de fomentar a logística por meio do Pacífico. Assim, o Estado tem maior possibilidade de exportar os próprios produtos, reduz o tempo de transporte, escoando as exportações por meio da Rodovia Transoceânica, que liga o Brasil ao Peru, começando em Porto Velho pela BR-364 e seguindo pelo vizinho, por meio da BR-317.