24 de novembro de 2020

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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium*

MANAUS – Quem não conhece a capital do Amazonas não imagina tamanha importância que a cidade teve para que o Brasil se tornasse o País que é hoje. Foi aqui, na chamada Paris dos Trópicos, que parte da população mais rica daquela época vivia, atraída pelo ouro branco: a borracha proveniente da árvore da seringueira.

E para viver com todo o requinte e conforto das grandes cidades, os barões da borracha tiveram de fazer de Manaus uma verdadeira cidade europeia. Com casas imponentes, mercados e um teatro fabuloso, Manaus possui ainda diversos pontos, que, com o passar do tempo, viraram atração turística. Além disto, história e modernidade se cruzam e são percebidas diariamente.

Teatro Amazonas

Teatro Amazonas fica localizado no Centro de Manaus (Reprodução/ Internet)

Principal símbolo cultural e arquitetônico do Estado, o Teatro Amazonas, localizado no Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus, mantém viva boa parte da história do ciclo da borracha. Inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896, o Teatro surpreende e encanta pela imponência. 

Tombado como Patrimônio Histórico Nacional em 1966, o Teatro Amazonas preserva parte da arquitetura e decoração originais. O estilo arquitetônico é renascentista, com detalhes ecléticos.

Na área externa, a famosa cúpula chama a atenção pela exuberância, composta por 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França. A maior parte do material usado na construção do teatro foi importada da Europa: as paredes de aço de Glasgow, na Escócia; os 198 lustres e o mármore de Carrara das escadas, estátuas e colunas são da Itália.

O salão de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas, distribuídas entre a plateia e três pavimentos de camarotes. Impossível não ficar hipnotizado com o teto côncavo, no qual estão quatro telas pintadas em Paris pela tradicional Casa Carpezot.

As telas representam música, dança, tragédia e ópera. Esta última, uma homenagem ao compositor brasileiro Carlos Gomes. Ao centro, um majestoso lustre de bronze francês. Também não passam despercebidas as máscaras nas colunas da plateia, que homenageiam compositores e dramaturgos, entre eles, Aristophanes, Molière, Rossini, Mozart e Verdi.

O Pano de Boca do Teatro Amazonas é outra raridade. Foi confeccionado em 1894, pelo artista brasileiro Crispim do Amaral, e descreve o encontro dos rios Negro e Solimões.

No Salão Nobre, onde aconteciam os grandes eventos sociais da época, destaca-se a pintura do teto feita por Domenico de Angelis, em 1899, e que foi batizada de “A glorificação das Bellas Artes da Amazônia”.

Mercado Municipal Adolpho Lisboa

Localizado às margens do rio Negro, o “mercadão”, como é conhecido, reúne modernidade e história (Semcom/ Divulgação)

O mercado público Adolpho Lisboa, de Manaus, surgiu no século XIX, em meio à preocupação com as condições de higiene na comercialização de alimentos. Popularmente conhecido como mercadão, é a principal porta de entrada da produção pesqueira e rural do Estado. O seu pavilhão central foi inaugurado em 15 de julho de 1883, época em que a cidade era considerada uma das mais prósperas do Brasil, em razão das riquezas vindas da exploração dos seringais.

Sua arquitetura de estilo art nouveau, faz do mercado uma réplica do extinto mercado Les Helles, de Paris, na França, com a estrutura toda feita de ferro fundido e forjado, pórticos de ferro rendilhado e vitrais. Um detalhe interessante é que as obras desse mercado não obedeceram a um projeto e foram sendo realizadas ao longo de 30 anos, conforme a necessidade de ampliação do espaço, a partir do crescimento da cidade.

Em 1906, o prédio foi arrendado para a empresa inglesa Manáos Markets, responsável pela construção das principais fachadas e pelos dois pavilhões laterais, também de ferro, destinados à venda de carne e peixes. O contrato foi rescindido em 1934 e o Mercado voltou à administração municipal.

Encontro das Águas

O Encontro das Águas é, talvez, a maior referência de patrimônio imaterial de Manaus. Tudo que se fala deste fenômeno hidrológico, que une os rios Negro e Solimões, não é exagero. A experiência de avistar este “encontro” encanta os olhos, tanto de perto quanto de longe.

Quem chega a Manaus de avião, durante o dia, deve torcer para estar do lado da janela cuja vista é direcionada ao Encontro das Águas. Mas quem quer observar da terra, sem precisar pegar um barco, pode se dirigir até uma falésia conhecida como Mirante da Embratel, no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste de Manaus. O local não é de fácil acesso e é recomendável estar acompanhado por um guia que conheça o itinerário.

Ponta Negra

Mesmo com cheia do rio Negro, Complexo da Praia da Ponta Negra possui praia durante todo o ano (Reprodução/ Internet)

Às margens do rio Negro, o Complexo Turístico da Ponta Negra é, hoje, uma das principais atrações de Manaus e um dos locais mais frequentados pelos moradores. Localizado em uma das áreas mais nobres da cidade, onde ficam condomínios de luxo, o local tem praia de areias brancas, amplo calçadão, anfiteatro para shows ao ar livre, quadras esportivas e mirantes.

São mais de 5 quilômetros de calçada feita com pedra portuguesa, com um traçado sinuoso em preto e branco que lembra o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Esse desenho é o mesmo da praça de São Sebastião, no Centro de Manaus, que foi copiado pelo paisagista Burle Max e aplicado no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, onde se tornou mundialmente famoso.

Ponte Jornalista Phelippe Daou

Ponte Jornalista Phelippe Daou, que é um dos principais símbolos da economia do Estado, se tornou ponto turístico da cidade (Reprodução/ Internet)

Inaugurada no dia 24 de outubro de 2011, a Ponte Jornalista Phelippe Daou, sobre o rio Negro, que liga a cidade de Manaus ao município de Iranduba, já é uma das principais atrações turísticas da capital amazonense. A ponte oferece uma belíssima visão panorâmica do impressionante rio Negro, o maior rio de águas negras do mundo, que está em sua plenitude no fim da cheia, por volta do mês de junho.

É considerada a maior ponte fluvial e estaiada (suspensa por cabos) do Brasil, com 3,6 quilômetros de extensão (3.595 metros). É também a segunda maior ponte fluvial no mundo, superada apenas pela ponte sobre o rio Orinoco, em Ciudad Bolívar, na Venezuela. Outro dado que impressiona é o valor da obra: mais de R$ 1 bilhão.

É a única ponte sobre o rio Negro e liga o bairro da Compensa, Zona Oeste, em Manaus, à rodovia AM-070, também chamada de Rodovia Manuel Urbano (Manaus-Manacapuru), em Iranduba. Começou a ser construída em 2008. Só foi concluída em 2011, sendo inaugurada no aniversário de 342 anos de Manaus.

Zoológico do Cigs

Zoológico do CIGS - Manaus - Seguindo Viagem
Localizado no bairro São Jorge, Zona Oeste, espaço no meio da floresta reúne parte da fauna amazônica aos cuidados do Exército Brasileiro (Reprodução/ Internet)

O Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Zoo Cigs) foi idealizado e construído no comando do então Tenente-Coronel Jorge Teixeira, personagem ilustre do Exército Brasileiro e da sociedade Amazonense. Ao longo de mais de 49 anos de experiência, o Zoo Cigs, por meio do trabalho e dedicação dos seus integrantes, conquistou espaço dentro do contexto conservacionista brasileiro, destacando-se com êxito na conservação de espécies amazônicas, educação ambiental e pesquisa científica.

O Zoológico do Cigs é um local destinado à manutenção de coleções de animais com as finalidades de exibição, conservação, reprodução e educação ambiental, voltada para a rica fauna e flora presente na região. Para isso, mantém projetos educativos, científicos e culturais, contribuindo para a conservação da fauna e da flora, e para a formação do cidadão. Sua área de visitação constitui espaço ideal para lazer e conhecimento. A Educação Ambiental é realizada diariamente. São mais de 140 mil visitante/ano e metade desses visitantes são alunos da rede pública de ensino, crianças, adolescentes e jovens que estão firmando suas convicções referentes à conservação e preservação ambiental.

O Zoo Cigs também é composto pela Sala Entomológica, o Aquário Amazônico, Memorial Jorge Teixeira e a Oca do Conhecimento Ambiental, que foi inaugurado em 2014 e é administrado pela Divisão de Veterinária do Cigs (Departamento de Educação Ambiental), setor responsável também pelas propostas educativas do Zoo Cigs, por meio da Educação Socioambiental (OCA), sua missão é “contribuir para a conservação da natureza realizando ações de educação, pesquisa e lazer, que sensibilizem as pessoas para o respeito à vida”.

Musa

MUSA - Museu da Amazônia - A floresta aos seus pés - Seguindo Viagem
Torre de observação proporciona contato com a natureza e vista do pôr do sol (Reprodução/ Internet)

O Musa, fundado em 2009, é um museu vivo, a céu aberto, em um segmento da Reserva Florestal Adolpho Ducke, uma floresta primária na cidade de Manaus. Na mesma área, em 2002, foi criado um Jardim Botânico in situ que ainda cresce e surpreende.

Suas trilhas recortadas no denso tecido de árvores, palmeiras e cipós são iluminadas por luzes e sombras que revelam a deslumbrante diversidade dos tons de verde e escondem insetos, pássaros e polinizadores.

Os ecossistemas, a fauna e a flora da Reserva Ducke têm sido estudados há mais de 60 anos pelos pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que decifraram boa parte de seus segredos, registrados em catálogos, artigos e manuais. O Musa Jardim Botânico está empenhado em divulgá-los para o grande público. Fazer do conhecimento alavanca de conservação e valorização do patrimônio que a natureza nos legou. Mostrar ao visitante, ao vivo, em seu hábitat natural, plantas, pássaros, insetos, flores e polinizadores.

O Musa Jardim Botânico está equipado com torres para observar a floresta em diferentes alturas, tendas de exposição e pavilhões em que temas caros às culturas indígenas, do passado e do presente, são revelados e celebrados. Em laboratórios experimentais preparados mostramos aos curiosos o micromundo magnificado.

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