9 de março de 2021

Com informações da UOL

MANAUS – No meio de janeiro a Ford anunciou o fim do Ka, com término da produção das versões hatch e sedã. Agora é a vez do Fiat Uno, um dos modelos mais emblemáticos da marca italiana e que deve dar adeus às lojas e linha de produção no final do ano.

Mas quais as razões que têm levado à extinção de carros populares com considerável volume de vendas? Vale lembrar que, em agosto de 2020, a Nissan iniciou o movimento com o fim do March.

No caso do Uno, o modelo perdeu espaço para o Mobi, um modelo mais barato para a empresa e que chegou depois. Também acabou superado, nas versões mais caras, pelo Argo, um hatch maior, mais espaçoso e moderno.

Meio-campo

O tradicional carro popular ficou em um meio-campo que não pode oferecer mais o melhor dos mundos em nenhuma situação. E hoje sobrevive de vendas diretas para empresas, não sendo encontrado em showrooms das concessionárias.

Além dos três que deram adeus, os Volkswagen Gol, Fox e Up! também estão na berlinda. Como acontece com o Uno, o VW Gol sobrevive hoje de histórico e também de vendas diretas. Agora, a realidade que precisará ser encarada pelos consumidores é que mais uma vez o carro popular está mudando de patamar.

Segundo consultores, esse é um movimento natural e que ocorreu já anos atrás. “A primeira vez que os populares mudaram de patamar foi quando passamos a oferecer itens de comodidade que antes eram opcionais, como ar-condicionado, direção assistida, vidro e travas, como de série”, afirmou.

Nível

Na época, isso já gerou uma alteração no nível de carros oferecidos, mas não eliminou os carros “populares”, já que muitos dos itens adicionados eram compatíveis com as plataformas usadas na época. Agora, nessa nova mudança, o patamar sobe mais uma vez, mas com alterações e necessidades maiores que exigem a execução em novos projetos.

Por isso, March, Uno e Ka, por exemplo, não podem continuar evoluindo como os carros que são (ou eram, no caso de Nissan e Ford). “Novas exigências por parte dos consumidores, das leis e de segurança, não tornam rentável tentar adaptar essas plataformas antigas ao novo momento”, afirma outro entrevistado.

Um dos consultores diz que, “sim, precisamos nos acostumar com o novo patamar de preços, afinal, se é obrigatório ter dispositivos de segurança que deixam o carro mais caro, mais itens de tecnologia que o consumidor exige, isso precisa ser repassado ao preço final, goste ou não”, finalizou.

Patamar elevado é o “novo normal” dos carros

A casa dos R$ 50 mil é o novo patamar de carro popular. E nessa onda mesmo os mais simples, que continuam resistindo, caso de Fiat Mobi e Renault Kwid, já trabalham em um patamar elevado.

O subcompacto da Fiat custa entre R$ 40.449 e R$ 49.089. No caso do rival da marca francesa, os valores vão entre R$ 39.390 e R$ 50.390.Com menos espaço, tanto interno quanto de bagagem, uma das fontes acredita que “eles continuarão no mercado, por enquanto, e vão adotar a posição de “City Cars”, ou o carro urbano.

O conceito existente há muitos anos na Europa trata de carros menores, que se necessários podem ser usados em viagens, mas são majoritariamente para uso urbano e deslocamento em trechos rodoviários curtos.