Povo Xavante busca espaço na política em município mais indígena de Mato Grosso

Indígenas Xavante do Mato Grosso (Composição: Paulo Dutra/Revista Cenarium)
Davi Vittorazzi — Da Revista Cenarium

CUIABÁ (MT) — As candidaturas e os indígenas eleitos em Mato Grosso têm baixa representação na política, apesar do Estado abrigar 43 etnias e ter uma população de mais de 58 mil pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para mudar esse cenário, indígenas Xavantes, que vivem em Campinápolis, a 544 quilômetros de Cuiabá, estão se mobilizando para aumentar a representação política já no pleito de 2024.

Segundo o vereador Geninho Tseredzapriwê Tsibodowapré, 34 anos, desde 2003, os indígenas que moram em Campinápolis conseguiram eleger um representante para o legislativo municipal. Na cidade, o número de cadeiras ocupadas por indígenas na Câmara aumentou para duas, entre 11 da Câmara.

Mesmo o Estado com um forte movimento indígena, não há ainda, na política, uma rede estruturada de apoio as candidaturas para os indígenas, conforme a própria Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt). Situação que reflete no resultado das eleições.

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Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Mato Grosso teve um total de 12,851 candidaturas para cargos de vereador e prefeito em 2020. Sendo que desse número, apenas 117 foram candidaturas indígenas aptas para disputar o pleito. O resultado foi de apenas 11 pessoas eleitas desse grupo, que representa 0,66% entre todas as eleitas.

Vereadores atuais de Campinápolis (Reprodução/Câmara de Campinápolis)

Apesar de baixo, a quantidade representou um aumento de 67% em relação a período eleitoral anterior. Nas eleições de 2016, das 9,777 candidaturas aptas, 70 eram de pessoas indígenas e 8 foram eleitas, que representa 0,48% do total.

Articulação política

Com ausência de um movimento de apoio, estruturação de candidaturas e educação política, uma iniciativa dos próprios indígenas Xavantes, da região de Campinápolis, visa melhorar a conjuntura de representação política local.

“Atualmente, estamos discutindo várias vezes, desde 2022, uma articulação do movimento indígena Xavante. Em cada região, temos escolhido um representante para conversar com as comunidades”, diz o vereador Tseredzapriwê à REVISTA CENARIUM, sobre as ações de educação e articulação política.

Geninho Tseredzapriwê Tsibodowapré é vereador em Campinápolis (Arquivo pessoal)

Segundo o Xavante, a medida visa alavancar as candidaturas locais e eleger mais representantes em Campinápolis, que é o município de Mato Grosso com a maior parte da população, 55%, que se declara como indígena, conforme o IBGE.

“Definindo um consenso para que, neste ano, elegemos mais de quatro pessoas, para nos representar no Poder Legislativo Municipal”, relata. Segundo o vereador, nas outras eleições a comunidade indígena local não discutia estratégias para as eleições e ficavam sub-representados nos espaço de poder local.

Ele ainda destaca que a representação é importante para buscar políticas pública que atendam a comunidade específicas dos povos que vivem na região.

“A gente considera esse caminho de suma importância para que nós mesmos falarmos das nossas necessidades. É isso que eu penso, é isso que o nosso povo pensa, ter uma representação maior nesse Poder Legislativo e quem sabe no Poder Executivo também”, avalia.

Leia mais: Liderança Xavante denuncia omissão do Governo de Mato Grosso
Editado por Aldizangela Brito
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