30 de setembro de 2020

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A ativista e ambientalista sueca Greta Thunberg, de 17 anos, disse nesta sexta-feira, 28, durante encontro virtual com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que a população precisa entender que o mundo depende da Amazônia e dos povos indígenas, que são os principais afetados pela crise da pandemia do novo Coronavírus.

Nesta sexta, a ativista promoveu o movimento Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro) que é uma mobilização contra o desmatamento na Amazônia e que realiza greves estudantis semanais às sextas-feiras. A jovem participou de uma live com a coordenadora executiva da Apib, Sônia Guajajara, onde conversou sobre os impactos da Covid-19 entre povos indígenas e o fortalecimento do plano de Emergência Indígena da entidade.

“Precisamos nos unir, globalmente, para fazer tudo que podemos para colocar pressão em governos, no governo Bolsonaro que está fazendo coisas horríveis, e defender os defensores, porque pessoas estão sendo mortas. Aproximadamente 80% da biodiversidade do mundo está nas mãos dos povos indígenas, não entendemos como dependemos disso. Precisamos nos reconectar, entender que somos parte da natureza e que somos uma família global”, disse a ativista.

Ela enfatizou ainda que todos têm um papel na luta em defesa da Amazônia. Segundo Greta, a Floresta Amazônica está próxima de atingir uma situação na qual não haverá mais como ser reestruturada. “Não podemos deixar isso acontecer. Seria catastrófico. Estamos pedindo a todos, por favor, que façam suas vozes serem ouvidas”, implorou a ambientalista.

Para a coordenadora executiva da Apib, Sônia Guajajara, o encontro virtual desta sexta-feira ficará marcada na história da luta indígena em defesa da vida.

“É um dia histórico, é um encontro de gerações, dessas lutas coletivas. Nós vivemos sempre tempos de emergências, mas essa pandemia chegou com muita força nos nossos territórios, já infectou mais de 28 mil indígenas no Brasil e matou mais de 700 pessoas, mais de 700 vidas indígenas perdidas. E isso significa para nós, uma perda de conhecimento, de sabedoria. A perda dessas pessoas, representa, também, um enfraquecimento da nossa cultura, a alteração do nosso modo de vida”, salientou Sônia Guajajara.

A coordenadora aproveitou o momento, também, para reforçar a busca de apoio para o “Maracá – Emergência Indígena“, um plano emergencial desenvolvido pelos povos indígenas para enfrentar a crise da Covid-19, e denunciou a atuação de garimpeiros ilegais que estão atuando em Roraima, disseminando a doença entre os povos Yanomamis.

“O nosso Maracá é um chamado de apoio mundial. O som do Maracá, que é este instrumento indígena, é preciso transpor todas as fronteiras, os oceanos e levar esse som da emergência, que não é só da emergência indígena, mas de toda a humanidade”, finalizou.

Confira a live:

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