25 de fevereiro de 2021

Ana Pastana – Da Revista Cenarium

MANAUS – Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 21, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), justificou que as denúncias de portais de notícias, responsáveis por expor a imunização de grupos privilegiados pelas nomeações feitas por ele na vacinação da Covid-19, atrapalharam a logística de vacinação.

“De 48 horas para cá, nós identificamos uma milícia digital com o intuito de causar o descrédito, de duvidar e de atrapalhar a cidade de Manaus”, disse Almeida em relação às denúncias que motivaram o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) a investigar suspeita de desvio de vacinas, incluindo as irmãs Lins, ambas médicas e nomeadas em cargos comissionados na véspera e no dia do início da vacinação na cidade, que foram imunizadas.

No discurso, o prefeito de Manaus aborda uma falsa assimetria entre o valor do próprio salário e dos contratos de comunicação, em que diversas empresas custeiam estruturas físicas e pagamento de funcionários, para justificar gastos públicos. “Vocês acham certo o prefeito ganhar R$ 18 mil e o dono de um blog ganhar R$60 mil e faltar remédio?”, disse David.

Ao terceirizar a responsabilidade na execução do plano de vacinação municipal, Almeida também não explicou os critérios de imunização adotados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. “Quem decide quem vai ser vacinado é o governo federal, e a lista com os nomes de todas as pessoas que já receberam a vacina já está disponível para os órgãos de controle”, afirmou Almeida.

Doses suficientes

Um levantamento feito junto ao Ministério da Saúde (MS) nesta quinta-feira, 21, apontou que a quantidade de vacinas contra Covid-19 entregues à Prefeitura de Manaus, no Amazonas, é suficiente para imunizar todos os profissionais que estão atuando na linha de frente do combate à doença na capital amazonense.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Manaus) recebeu 40.072 doses da vacina, segundo dados obtidos no MS, informação que foi confirmada pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM). A quantidade atende, com as duas doses, 19.250 trabalhadores dos hospitais e unidades de saúde estaduais, municipais e particulares.

Pressão

David tornou sem efeito a nomeação de ex-vereadores não reeleitos após repercussão negativa com classe artística da capital amazonense, que divulgou nas redes sociais nesta quinta-feira, 21, diversos manifestos contra as nomeações de “cabide político” para o comando da Fundação Municipal de Turismo e Eventos (ManusCult).

Como justificativa, o chefe do Executivo municipal informou que não controla as nomeações nas secretarias, chanceladas no Diário Oficial do Manaus (DOM), com assinatura dele. “É de responsabilidade dos secretários. Mas não errei na indicação de nenhum. Conversei com todos e deixei à vontade para escolher a equipe. A indicação é do secretário e não tenho como tá ‘ticando’ nome por nome”, disse.

Transparência

Após o prefeito de Manaus, David Almeida, anunciar em rede social que proibiria a realização de imagens em salas de vacinação, no momento da imunização contra a Covid-19, o presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), conselheiro Mario de Mello, determinou que a Prefeitura de Manaus se abstenha de qualquer ato que proíba a realização e/ou divulgação das imagens.

“A proibição de registrar e divulgar imagens nas salas de vacinação contra a Covid-19 é um ato que fere os direitos coletivos e a liberdade de manifestação, resguardados pela Constituição Federal. O Tribunal de Contas, como órgão fiscalizador, não permitirá que os direitos da população sejam maculados. Além disto, precisamos garantir o máximo de transparência em todas as ações referentes à vacinação e não há motivo para que essas imagens não se tornem públicas”, afirmou o presidente do TCE-AM, conselheiro Mario de Mello.

Assista ao vídeo no link

https://tinyurl.com/y35n3dqr