Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
22 de novembro de 2021
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
image/svg+xml

Com informações da assessoria

MANAUS – Em plena pandemia do novo coronavírus, a Prefeitura de Coari (município a 363 quilômetros de Manaus) está sendo investigada pelo Ministério Público Federal (MPF), por suspeita de aquisição de kits de testes rápidos falsificados para a detecção da Covid-19, doença que já matou quase 12 mil pessoas no Amazonas, sendo 199 só na localidade.

O inquérito civil instaurado com essa finalidade foi gerado por meio da portaria nº 6, de 6 de fevereiro deste ano, e publicada no Diário Oficial do órgão, assinada pela procuradora da República, Júlia Rossi de Carvalho Sponchiado.

A investigação é derivada do Procedimento Preparatório nº 1.13.002.000061/2020-03, que teve início ano passado, e considerou a necessidade de “novas provas quanto aos fatos descritos”. A instauração do procedimento, por sua vez, partiu de uma denúncia que, segundo o MPF, foi divulgada por meio da imprensa.

Em 2020, a Prefeitura de Coari anunciou a testagem de parte do grupo de risco, a partir da aquisição de 16 mil testes rápidos, que abrangeriam 20% do grupo pré-estabelecido.

Lista de despesas da Covid-19 da prefeitura de Coari (Reprodução/Internet)

Falta transparência

Município conhecido pelas polêmicas no meio político, Coari está no alvo do MPF por meio de inúmeras investigações. O portal da Transparência da Prefeitura Municipal aponta que o Executivo injetou R$ 2,75 milhões no combate à pandemia do novo coronavírus, menos de 30% dos R$ 9,44 milhões que recebeu do Governo Federal, via Fundo Nacional de Saúde (FNS), entre 2020 e 2021, para o combate à pandemia.

O portal mostra, ainda, que quase R$ 403 mil foram destinados à aquisição de testes para Covid-19, a partir da contratação de três empresas, todas beneficiadas com dispensa de licitação.

Lista de despesas da Covid-19 da prefeitura de Coari de acordo com os fornecedores (Reprodução/Internet)

A primeira, a A.R Rodriguez e CIA LTDA, foi contratada por R$ 120 mil, e a segunda, a Mauro Kazuhiro Iwama, ficou com a maior parcela: R$ 280 mil. Ambas para o fornecimento de testes rápidos, sendo a última, na modalidade PPS, conforme os descritivos anexados ao portal. A terceira empresa, a Francisco Fernandes Barbosa, foi a que recebeu o menor valor: R$ 2.950, para a aquisição de testes SWAB, conhecido como teste do cotonete.

Os dois primeiros contratos foram assinados pela então secretária de Saúde, Francisca Mendes Rodrigues, e pela prefeita em exercício, à época, Laura Macedo Coelho. O de menor valor foi assinado pelo ex-prefeito Adail Filho, afastado da Prefeitura após ter o registro de candidatura cassado pela Justiça Eleitoral. As dispensas ocorreram entre março e maio de 2020, conforme o portal. Atualmente, o município é administrado pela prefeita em exercício, Dulce Menezes (MDB).