Prefeitura de Manaus oferece cremação de corpos, após registro de 100 enterros por dia

Da Revista Cenarium

Em duas semanas, o número de sepultamentos nos cemitérios públicos de Manaus triplicou, segundo a Prefeitura de Manaus. O comparativo considera os 39 enterros realizados no último dia 9, enquanto que, no último sábado, 25, foram 102 registros. Um aumento de quase 300% em 16 dias. Nesse período, são mais de 1,5 mil registros. Com o aumento na demanda, o município firmou parceria com um crematório.

“Estamos vivendo dias muito difíceis, uma situação jamais imaginada. E, mais do que nunca, determinei a toda minha equipe que sejamos transparentes, motivo pelo qual passaremos a divulgar todos os dias os números de sepultamentos, preservando ao máximo as famílias enlutadas”, antecipou o prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB).

Os números provém da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), que gerencia os cemitérios, e também apontam que desde o dia 19 mais de cem enterros por dia foram realizados. A maioria no cemitério público Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, zona oeste. O local já adotou o sistema de trincheiras para sepultamento, preservando a identidade dos corpos e os laços familiares.

Uma iniciativa privada advinda de Iranduba (a 28 km de Manaus) permitirá a opção de crematório para as famílias. O serviço, conforme Arthur, será oferecido opcionalmente a partir do serviço SOS Funeral, da Prefeitura. O secretário da Semulsp, Paulo Farias, detalhou que o posto de atendimento será no cemitério de Aparecida, e que funcionará com atendimento,

“O corpo é encaminhado para o cemitério de Aparecida e, caso a família assine a autorização, irá ao posto de atendimento do crematório, localizado no próprio local, para fazer o agendamento. A urna ficará na câmara do cemitério até o momento do deslocamento para o crematório”, explicou.

Detalhamento

Na última sexta-feira, 24, foram 128 enterros ocorridos, com 35 falecimentos em casa. Do total, apenas 13 tiveram no atestado a Covid-19 como causa. Além disso, 28 óbitos tiveram como causa da morte desconhecida ou indeterminada e mais 49 por síndrome ou insuficiência respiratória.

Na quinta-feira, 23, foram 135 sepultamentos, com 40 óbitos em domicílios. Foram 36 mortes por causas indeterminadas ou desconhecidas, 48 por insuficiência ou síndrome respiratória e 12 com confirmação para Covi-19.

Aglomeração nos enterros

A Prefeitura de Manaus adotou medidas para impedir a aglomeração de pessoas em velórios e sepultamentos na cidade. A limitação de dez pessoas por velório e a redução para até 2h do tempo dessas cerimônias para mortes não causadas por Covid-19. Ao sepultamento, só está permitida a presença de, no máximo, cinco pessoas. O Decreto 4.801, publicado no Diário Oficial do Município (DOM) é o texto responsável.

Já para confirmação ou suspeita de Covid-19, realizada a preparação do corpo pela prestadora de serviço, a empresa deve seguir de imediato para cremação ou sepultamento, sem a realização de velório; nesses casos, o cortejo só deverá ser integrado pelo carro que conduz a urna funerária e um veículo particular. Só três pessoas devem assistir o sepultamento.

Pessoas dos grupos de riscos (pessoas a partir de 60 anos, diabéticos, hipertensos, asmáticos e outras doenças crônicas) estão proibidas de participar das cerimônias e sepultamentos, baseado nas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde.

Casos indefinidos

Desde o dia 9 de abril, pelo levantamento do Executivo Municipal, o número de casos confirmados de Covid-19 saiu de 899, com 40 óbitos, para 3.833, com 304 óbitos, até este domingo, dia 26, conforme dados oficiais divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), do governo estadual.

Outro dado que chama a atenção é que, do quantitativo de óbitos nos últimos dias, apenas um percentual chega a 10% e tem como causa confirmada da morte a Covid-19. Exemplo disso é que das 102 mortes deste sábado, 25, somente seis foram declaradas como Covid-19, ou seja, quase 6%.

Outros 50 tiveram como causa morte síndrome ou insuficiência respiratória e mais 21 óbitos foram registrados como causa desconhecida ou indeterminada. Ainda nesse contexto, quatro famílias já fizeram a opção pelo crematório, totalizando 98 enterros nos cemitérios públicos. Do total, 20 tiveram morte domiciliar.

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