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23 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Apesar do Estado registrar 670 óbitos por Covid-19 em março, uma queda de 80% comparado com janeiro deste ano (3.556), a preocupação com a terceira onda da Covid-19 ganhou força no Amazonas nesta semana. Com o agravamento da pandemia na Europa e a rede de saúde em algumas regiões do Brasil em colapso, especialistas recomendam que a vacinação contra o novo coronavírus precisa acelerar no Estado.

Para o infectologista Nelson Barbosa, médico linha de frente que atua no Hospital 28 de Agosto e na Fundação de Medicina Tropical (FGV), em Manaus, a vacinação corre a passos largos e o governo federal deve priorizar o Amazonas na imunização, porque foi o Estado que serviu de paradigma para segunda onda, cujo pico ocorreu entre os meses de janeiro e fevereiro deste ano com a falta de cilindros de oxigênio e a lotação dos hospitais públicos e privados.

“Se a terceira onda for tão letal e tão ruim quanto foi a segunda, o serviço de saúde estará colapsado. Os gestores de saúde têm que investir na vacinação, mas é claro que não podemos deixar de lado as medidas de prevenção, pois a vacina não protege 100%, ela reduz a gravidade do caso da Covid-19”, declarou.

Na quarta-feira, 31, o governador Wilson Lima (PSC) chegou a relatar uma aflição em razão com a terceira onda no Amazonas, em razão de aglomerações e festas clandestinas que têm acontecido. “Apesar da gente ter vacinado todo mundo acima dos 60 anos de idade, não significa que a gente esteja livre da Covid. Não significa que a gente deixe de usar máscara, não significa que a gente tem que deixar de seguir aqueles protocolos de lavar as mãos e higienizar com álcool”, disse, durante live para alterar decretos de funcionamento do comércio.

Wilson Lima salientou que, mesmo quem se vacinou, ainda corre o risco de ser infectado pelo novo coronavírus e os cuidados contra a doença ainda devem ser mantidos. “Há ainda uma preocupação com a possibilidade de uma terceira onda. Isso é real, porque está acontecendo na Europa, está acontecendo na Alemanha, em especial. Eu falo da Europa porque acaba sendo um espelho nosso, algo que a gente acaba se guiando, porque todas as vezes que agrava lá, o próximo a agravar é Manaus, aí a gente acaba sendo uma referência para o restante do Brasil”, frisou.

Estrutura

Ainda na quarta-feira, o secretário de Saúde Marcellus Campêlo garantiu que nenhum leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinado para o enfrentamento da pandemia será desativado no Amazonas. De acordo com dados apresentados pelo secretário, desde outubro de 2020, a quantidade leitos clínicos para Covid-19 saiu 312 para 1.039, enquanto que, no mesmo período, a criação de UTIs subiu de 130 para 426 leitos.

“Temos muitos leitos novos que foram criados, inclusive um hospital de campanha na Nilton Lins, que permanece montado. Nenhum leito será desativado. O mesmo pode em algum momento ser convertido para atendimento de outras patologias, mas a quantidade de leitos permanece tanto nas maternidades, na Fundação de Medicina Tropical e outras unidades nas quais nós criamos novos leitos”, afirmou.

Boletim

Segundo o boletim epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), o Amazonas chegou a 12.031 mortes por Covid-19 nessa quinta-feira, 1º. Ao todo, o Estado tem 350.288 casos da doença. Dados do consórcio de veículos de imprensa formado pelo G1, O Globo, Extra, O Estadão de S.Paulo, Folha de S.Paulo e UOL, indicam que o Estado é o quarto do País no ranking de vacinação.

Até essa quinta-feira, 10,22% do total da população foram vacinadas (430 mil vacinas aplicadas) no Amazonas. Sobre os cinco Estados que mais vacinaram no País em relação à população, Bahia está em primeiro (11,15%); seguido de Mato Grosso do Sul (11,06%); Rio Grande do Sul (10,26%); Amazonas (10,22%); e em quinto, Paraíba (10,10%) e São Paulo (10,10%).

Cinco Estados que mais vacinaram em relação à população (Gráfico: Guilherme Reis)

Europa

A partir deste sábado, 3, a França entrará em lockdown diante do agravamento da pandemia no País, que tem mais de 95 mil vítimas do novo coronavírus. O anúncio foi feito pelo presidente Emmanuel Macron, em discurso transmitido pela televisão.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel alertou para o aumento de casos de Covid-19 no País. Na região, após o registro de quase 15 mil casos em 24 horas, bares, restaurantes, teatros e academias estarão proibidos de funcionar a partir de segunda-feira, 5. Para a alemã, a situação é “séria” e precisa ser contornada urgentemente.

Impactos econômicos

Os impactos com a instalação de uma terceira onda da pandemia da Covid-19 no Amazonas, segundo a economista Denise Kassama, vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Confecon), afetaria toda a cadeia econômica. A exemplo da primeira e da segunda onda da pandemia do novo coronavírus no Brasil, uma nova crise resultaria na geração de desemprego e redução de renda.

“O custo para o empresário, de contratar, capacitar e, principalmente, demitir, é um custo muito alto. Havendo uma terceira onda, o empresário que já não está conseguindo exercer plenamente as atividades da sua empresa, ele vai ter que arcar com esse ônus de desligamento, porque também não vai poder manter um funcionário se ele não estiver com seu empreendimento funcionando. Além de onerar o empresário e o investidor, isso também danifica a cadeia econômica, porque ele vai gerar desemprego, redução de renda na economia e a redução de consumo, então as coisas tendem a piorar”, disse à REVISTA CENARIUM.

De acordo com Denise, mesmo com os avanços nas ações de combate ao novo coronavírus, que resultaram na diminuição de casos de contaminação no Estado, a situação ainda requer cautela, principalmente, com a abertura das atividades econômicas.

“Temos de analisar com relativa prudência. Embora, no caso do Amazonas, os casos de Covid-19 têm reduzido sistematicamente, ainda é bastante grande. Temos que lembrar que, até o momento, apenas a vacina é uma forma cientificamente comprovada de combate à pandemia e mesmo com os avanços, somente 10,10% da população está inoculada”, salientou.

Ano difícil

Para Denise Kassama, 2021 será um ano difícil economicamente e é preciso que todas as medidas restritivas contra o contágio do vírus sejam seguidas, para que a economia gire plenamente. “A Covid-19 continua aí. Estamos há mais de um ano sob restrições para poder evitar a propagação. A doença é terrível e está matando as pessoas”, destacou.

“Recomendamos prudência econômica para as famílias. Evitar gastos supérfluos, se possível manter a poupança, uma economia, porque sabemos que a economia só vai funcionar plenamente depois da vacina e mesmo assim ela vai levar um tempo para se recompor e poder girar plena capacidade”, finalizou.

Edição: Alessandra Leite