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15 de maio de 2021

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Com informações do Estadão Conteúdo

PEQUIM – O presidente da China, Xi Jinping, confirmou sua participação na Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo presidente americano, Joe Biden, nesta semana. Essa será a primeira reunião entre os dois líderes desde a posse de Biden, ainda que virtual. Depois de recolocar os EUA no Acordo de Paris, o presidente americano convidou 40 líderes mundiais, entre eles o brasileiro Jair Bolsonaro, para participar da cúpula virtual de dois dias que começará na quinta-feira, dia 22.

Xi participará da cúpula por vídeo e fará um discurso “importante”, disse Hua Chunying, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em um comunicado nesta quarta-feira.

Pequim e Washington, as duas maiores economias e os dois maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo, travam disputas nos campos comercial, tecnológico e de direitos humanos.

O primeiro encontro de alto escalão entre representantes dos EUA e da China depois da posse de Biden ocorreu no Alasca, no mês passado, mas não rendeu avanços diplomáticos, com acusações mútuas, raramente feitas pelos dois lados frente a frente, de abuso do poder econômico e militar e ingerências indevidas em assuntos internos da outra parte.

No entanto, na semana passada, o enviado climático dos EUA, John Kerry, viajou a Xangai para se encontrar com seu homólogo chinês na primeira visita de alto nível de um funcionário do governo Biden à China. Ambos concordaram com ações concretas “na década de 2020” para reduzir as emissões.

As discussões ambientais bilaterais entre China e EUA haviam sido praticamente interrompidas durante o governo do ex-presidente Donald Trump, que abandonou o Acordo de Paris em junho de 2017, afirmando que seus termos “prejudicariam” a economia americana e poriam o país em “desvantagem permanente”.

Biden retornou ao pacto horas após a sua posse e, desde então, se concentra ativamente em transformar os EUA em uma liderança na ação contra a mudança do clima. O protagonismo também é disputado pela China, impasse que cria um obstáculo para uma maior colaboração, apesar dos compromissos traçados no comunicado conjunto.

No acordo, os Estados Unidos e a China disseram que vão “combater as mudanças climáticas com a seriedade e a urgência que o problema exige”, intensificando os esforços para reduzir as emissões de carbono. O anúncio foi uma rara demonstração de cooperação em meio ao aumento das tensões entre os dois países em torno de uma série de outras questões.

A declaração foi feita em um incomum comunicado conjunto na noite de sábado, 17, no encerramento da visita de John Kerry a Xangai, às vésperas da Cúpula de Líderes sobre o Clima.

“É muito importante para nós tentarmos manter distante outras pendências, porque o clima é uma questão de vida ou morte em tantas partes diferentes do mundo”, disse Kerry em uma entrevista no domingo, 18, em Seul, onde se reuniu com autoridades sul-coreanas para discutir o aquecimento global. “O que precisamos fazer é provar que podemos realmente nos reunir, sentar e trabalhar em algumas coisas de forma construtiva.”

O comunicado é assinado por Kerry e Xie Zhenhua, enviado especial da China para as mudanças climáticas. Os dois também disseram que irão apoiar a transição de países emergentes para formas de energia limpas “sempre que possível”, sem especificar medidas para isso.

Apesar do acordo, as tensões entre os países continuam. Durante a visita de Kerry, o porta-voz da Chancelaria de Pequim, Zhao Lijian, disse a repórteres que os americanos “são responsáveis por atrasar o cumprimento” do Acordo de Paris. De acordo com a porta-voz, os EUA “deveriam ter vergonha” de tê-lo abandonado e “não deixam claro como farão para recuperar o tempo perdido”.

Há uma série de outras tensões entre os dois países. Na sexta-feira passada, enquanto os dois enviados se encontravam, o Departamento de Estado americano criticou as sentenças de prisão proferidas em Hong Kong a proeminentes líderes pró-democracia, incluindo Jimmy Lai, um magnata da mídia de 72 anos. No mesmo dia, a China alertou os Estados Unidos e o Japão contra um “conluio” quando Biden se reuniu na Casa Branca com o primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga. As ambições geopolíticas crescentes da China foram uma das principais questões ado encontro.

Compromissos

A meta mais ambiciosa é impulsionada por Biden, que busca usar a cúpula desta semana para convencer outras nações a aumentarem os compromissos assumidos há seis anos. A intenção é que isso seja feito antes da COP-26, conferência climática da ONU que acontecerá em novembro, em Glasgow, na Escócia.

Responsável sozinha por 28% dos gases causadores de efeito estufa emitidos no planeta, a China prometeu vagamente no ano passado atingir a neutralidade de carbono até 2060. Um dos objetivos da Casa Branca com sua cúpula é que os chineses consolidem esta proposta.

Os EUA são o segundo país mais poluente, tendo sido responsáveis por 15% do total das emissões em 2020. Buscando servir como exemplo, a Casa Branca deverá anunciar durante sua cúpula uma meta atualizada para reduzir suas emissões em 50% até o fim desta década, quase o dobro da anteriormente prometida.

Kerry disse que a China estava efetivamente se comprometendo a agir de maneira mais rápida do que Xi Jinping havia prometido, “tomando medidas climáticas mais amplas que aumentam a ambição na década de 2020”, como afirma o comunicado. Os dois países continuarão a se reunir para discutir o assunto, acrescentou Kerry.

O novo plano econômico de cinco anos da China, revelado em março passado, ofereceu poucos novos detalhes para atingir as metas de emissões prometidas por Xi Jinping. A China continuou, por exemplo, a aprovar novas usinas a carvão, uma das principais fontes de emissão de carbono, priorizando a estabilidade social e o desenvolvimento de uma importante indústria nacional.

“Para um grande país com 1,4 bilhão de habitantes, essas metas não são facilmente alcançadas”, disse Le Yucheng, o vice-ministro das Relações Exteriores, em entrevista à Associated Press nesta terça-feira, 20. “Alguns países estão pedindo à China que faça mais em relação à mudança climática. Talvez isso não seja muito realista.” (Com agências internacionais).