Pressa da PF em dizer que não houve mandante no caso Bruno e Dom mostra desconhecimento de crimes na Amazônia

À medida que cresce o número de presos no caso Bruno e Dom, reduzem-se as chances das mortes brutais do indigenista e do jornalista britânico terem sido atos isolados, sem uma coordenação do crime organizado que atua na região amazônica. Horas depois de a Polícia Federal informar, por meio de nota, que as investigações apontavam que os executores até agora presos agiram sozinhos, “não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito”, um terceiro suspeito se apresentou e teve a prisão temporária decretada. Agora, falam em cinco ou mais envolvidos nos homicídios. A declaração precipitada revela, no mínimo, desconhecimento por parte da PF de como atuam as redes criminosas que agem na Amazônia.

Narcotráfico e pescadores ilegais

A presença de pescadores e caçadores que atuam ilegalmente e em conjunto com traficantes de drogas no Vale do Javari, onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram executados, é tema de estudos e denúncias do Instituto Socioambiental (ISA), desde 2013. Segundo o ISA, o tráfico de drogas é, possivelmente, a principal força econômica da região, articulando-se com diversas outras atividades, como a exploração madeireira, o garimpo, a pesca, sobretudo voltada à exportação do pirarucu. Portanto, desconsiderar que os pescadores ilegais presos até agora poderiam estar a serviço de mandantes é seguir deixando a criminalidade à vontade na região.

Soberania só no discurso

O mito da eficiência e da suposta defesa da soberania na Amazônia pelas Forças Armadas não resiste a uma reflexão mínima dos fatos seguintes na Amazônia. Mais preocupados em atacar o sistema eleitoral, os militares à sombra do Planalto deixaram a segurança nas fronteiras, de sua atribuição, escancarada ao crime. Em que pese o Ministério da Defesa contar com orçamento recorde, o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteira (Sisfron), que recebe a maioria dos investimentos de vigilância fronteiriça, aguarda implementação desde 2012. Incapazes de gerir a pandemia, militares não conseguem dar respostas concretas aos povos por quem deveriam zelar.

Bolsonaro se ocupa com motociatas e marchas

Enquanto as crises se multiplicam no País, inclusive as criadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, a agenda do chefe da nação continuará recheada de almoços com pastores, eventos religiosos e motociatas, que nada trazem de benefício concreto às demandas da população. Após encontro com Silas Malafaia, Bolsonaro acertou a participação em pelo menos três cidades no evento Marcha para Jesus: São Paulo, em julho, e Rio e Cuiabá, em agosto. Ele investe no segmento evangélico, já que tem dificuldade em avançar entre os católicos – de acordo com as últimas pesquisas, o ex-presidente Lula teria o apoio de mais de 50% de quem se proclama católico.

Tebet fiel da balança

Embora ainda apareça na rabeira das pesquisas eleitorais, a pré-candidata a presidente Simone Tebet (MDB) é vista por lideranças do PT como a fiel da balança que vai decidir se a eleição presidencial será decidida no primeiro ou no segundo turno. Petistas avaliam que se Tebet conseguir emplacar Tasso Jereissati (PSDB) como candidato a vice, o apoio do ex-presidente Fernando Henrique e outros tucanos históricos a Lula ainda no primeiro turno se tornaria inviável. Para aliados de Lula, o apoio de FHC transformaria a hipótese de uma vitória de Lula no primeiro turno em uma possibilidade real.

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