8 de março de 2021

Jennifer Silva – Da Revista Cenarium

MANAUS – Após pressão do escândalo dos ‘fura-filas’ envolvendo servidores na imunização contra Covid-19, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), exonerou nessa quinta-feira, 12, as irmãs Gabrielle e Isabelle Lins e mais cinco gerentes de projetos depois de 25 dias da nomeação controversa.

Gabrielle e Isabelle Kirk Maddy Lins tomaram a segunda dose da imunização na quarta-feira, 10. As profissionais – recém-contratadas pela Prefeitura de Manaus – foram acusadas por órgãos de controle do Amazonas de tirar a vez de funcionários da Saúde que atuam na linha de frente nos prontos-socorros desde o início da pandemia em abril de 2019.

Ambas receberam a primeira dose da vacina no dia 19 de janeiro na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Nilton Lins e, por conta das irregularidades, a juíza federal Jaiza Fraxe acatou, no mês passado, uma ação coletiva contra o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), para suspender a vacinação.

Exonerações dos servidores envolvidos no esquema dos ‘fura-filas’ da vacinação municipal (Reprodução/Diário Oficial de Manaus)

Insustentável

Em nota divulgada à imprensa, as irmãs Lins declaram que a exoneração ocorreu por solicitação das mesmas e surgiu após situação ficar “insustentável” e comprometer o ambiente de trabalho na Unidade Básica de Saúde onde as gêmeas estavam lotadas.

“Diante de outras possibilidades de colocação, não havia porque Gabrielle e Isabelle permanecerem ali com todo o desgaste que se criou, já que muito longe de qualquer favorecimento o intuito de todos os médicos era atender o chamado da Prefeitura”, diz trecho.

Esquema fraudulento

Por conta do escândalo, a vacinação foi suspensa no dia 21 de janeiro. Entre as pessoas vacinadas irregularmente está o filho do ex-deputado estadual Wanderley Dallas (Solidariedade), David Dallas. Ele também teve a exoneração publicada na mesma edição do DOM.

Dessa forma, uma ação criminal do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) pediu as prisões preventivas do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), da secretária municipal de Saúde (Semsa), Shadia Fraxe, do secretário municipal de Limpeza (Semulsp), Sabá Reis, e de mais outros 19 servidores, revelando um possível esquema fraudulento de contratações de funcionários comissionados.

Divulgada no dia 27 de janeiro, a ação do MP-AM ocorre após desvios de vacinas contra a Covid-19 destinadas a funcionários da Saúde e idosos, que privilegiaram “apadrinhados políticos”. Sem julgar o mérito da ação criminal do MP-AM, o desembargador Hamilton Saraiva, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), encaminhou o processo à Justiça Federal.

Prisão

À REVISTA CENARIUM, a juíza federal Jaiza Fraxe afirmou, no dia 10 de janeiro, que a prisão em flagrante, de forma geral, é um mecanismo dos órgãos da persecução penal. “Eles têm à disposição esse mecanismo que o legislador concedeu para quando ocorrerem crimes que o justifiquem. À Justiça cabe o papel de analisar a legalidade dessas prisões, se ocorrerem”, detalhou.

Ainda de acordo com Fraxe, o sistema de Justiça é dividido em papéis, de modo que cada gestor possui uma responsabilidade, servindo para qualquer crime relacionado à pandemia. “Pode ser que a qualquer momento os órgãos da persecução realizem prisões em caso de peculato, apropriação indébita, falsidade e outros delitos. É natural do sistema penal, Mas pode ser que eles não identifiquem essa necessidade-possibilidade. De qualquer forma, caberá ao juiz verificar a legalidade dos atos”, finalizou a juíza federal.

A REVISTA CENARIUM entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para comentar o caso e, até o fechamento da matéria, o poder Executivo não havia se manifestado. Também procurado pela equipe de reportagem, David Dallas, citado pela matéria, também não foi localizado.

Veja exoneração no DOM

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