6 de março de 2021

Mencius Melo – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com grande parte do Polo Industrial de Manaus (PIM) operando em ‘marcha lenta’ ou até mesmo parado, a economia do Amazonas enfrentará uma turbulência pesada. A REVISTA CENARIUM entrevistou economistas para entender ou projetar expectativas.

A economista Denize Kassama destacou que os altos índices de mortes e as estatísticas de ocupação da rede pública e privada não levaram a outra alternativa. “O setor econômico já esperava o endurecimento do decreto até porque a vida não sobrepõe a economia”, observou Kassama.

Para Denise, os efeitos da paralisação de grande parte do parque fabril terá efeito imediato. “A paralisação parcial ou total, aliada ao fim do ‘Auxilio Emergencial’ do governo federal, levará o Amazonas a um semestre de 2021 comprometido e restringido, para não dizer perdido”, previu a economista.

Sem rumo

“Sem dar alternativas à população que patina sobre a vacinação, o governo federal os deixa sem rumo. Para piorar, temos que conviver com quem desrepeitas decretos. Chego a pensar que devemos vacinar os frequentadores de bares, para evitar a contaminação do resto da população”, ironizou Kassama.

Já o economista e deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) vê com enorme preocupação as expectativas para os próximos meses. “Isso terá reflexos na arrecadação tributária e na massa salarial, o que será um desastre. Temos que vacinar, para depois avançar objetivando recuperar o que foi perdido”, avaliou.

Reticente, o economista não acredita na possibilidade de uma recuperação a curto prazo da economia. “Dependemos da superação pela vacina. Fora disso, será um desastre”, previu. Questionado sobre quais setores serão os mais atingidos no PIM, ele não arriscou apontar. “Cada caso é um caso. Impossível qualquer previsão. Serão anos difíceis”, declarou Serafim.

Otimismo

Mesmo com um horizonte escuro, Denise Kassama acredita em uma virada no segundo semestre. “Se conseguirmos vacinar uma boa parte da população entre março e abril e as coisas começarem a ‘entrar nos eixos’ em junho, acredito que iniciaremos uma recuperação no segundo semestre. Acredito muito no poder de resiliência e recuperação do empresariado amazonense”, finalizou a economista.

Adesão industrial

Segmento de ponta na economia do maior Estado da federação, as indústrias que compõem o maior parque fabril do norte do Brasil aderiram ao decreto n.º 43.303, que prevê o funcionamento parcial da indústria e impõe medidas altamente restritivas para que se evite contaminação ainda maior pelo novo coronavírus.

A ação do governo do Estado já era esperada por grande parte do empresariado, que lamenta a aplicação dessas regras, mas entende que são necessárias para salvar vidas. Em nota, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, declarou: “São medidas para tentar conter o colapso na saúde”, destacou Silva.

“A indústria sempre aderiu a todas as medidas restritivas para conter o avanço do novo coronavírus como ocorreu na primeira onda da doença no ano passado. Esperamos que a situação se normalize o mais breve possível para garantia da estabilidade econômica do País com a saúde de todos os trabalhadores da indústria e de toda a sociedade”, pontuou.

Cieam alinhado

Outro organismo patronal a aderir foi o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), que em nota informou. “O Cieam está alinhado com o novo decreto estadual que aumentou as restrições de circulação como medida para conter o avanço da Covid-19 no Estado”, destacou o texto.

Mesmo com dureza das medidas, o Cieam fez questão de destacar os detalhes: “Ao Setor Industrial, com a ressalva de que as unidades cuja produção não seja destinada a itens essenciais à vida, como alimentos, bebidas, itens de higiene e de limpeza, gases, EPIs, e produtos farmacológicos, medicamentos e insumos médico-hospitalares, poderão funcionar somente por 12 horas diárias, de segunda a sexta-feira”, detalhou o documento.