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23 de novembro de 2021
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Com informações do site UOL

MINAS GERAIS- “Me chamo Mayla Phoebe Rezende e minha irmã gêmea Sofia Albuquerck Ferreira. Temos 19 anos, nascemos em Araxá, porém fomos criadas em Tapira, também em Minas Gerais. Sou técnica em enfermagem e atualmente curso medicina em Buenos Aires, enquanto ela estuda engenharia civil.

Sempre fizemos tudo juntas e realizamos recentemente o nosso grande sonho: fazer a cirurgia de redesignação sexual e nos tornamos as primeiras gêmeas trans a realizarem essa cirurgia no mundo. Nos sentimos privilegiadas por esse marco e queremos que isso chame atenção para que a cirurgia se torne mais acessível no sistema público e na rede privada.

Tem muitas trans que desistem porque a fila de espera é muito grande pelo SUS e há somente uma clínica privada que realiza o procedimento no Brasil, em Blumenau (SC). Queremos que o nosso caso leve mais informações às pessoas sobre esse procedimento. Nascemos com o sexo biológico masculino, mas a gente sempre se sentiu mulher.

“Nossos pais sempre nos apoiaram nestes momentos, quando chegávamos chorando em casa” (Reprodução/arquivo pessoal)

Dificuldades

Desde pequenas, quando soubemos que se tratava de um órgão do sexo masculino, não queríamos tê-lo em nosso corpo. Quando eu o via, sentia que não era meu. Sofremos muito por causa da nossa escolha. Na escola, foi muito difícil. Uma vez a professora disse que precisaríamos usar o banheiro masculino porque não éramos mulheres. Isso foi no primeiro ano do ensino médio. Fiquei três meses sem ir para escola depois disso.

Era uma situação muito difícil de lidar, inclusive sofria agressões: alguns colegas arremessavam cadernos na minha cabeça. Fico até emocionada quando me lembro disso hoje porque passei por muita coisa ruim nesse sentido. Desde meus três anos, eu assoprava uma planta dente-de-leão e pedia ao papai do céu que me transformasse em uma menina.

Nossos pais sempre nos apoiaram nestes momentos, quando chegávamos chorando em casa. Nos abraçavam e diziam que estava ‘tudo bem’, enquanto minha avó fazia pão de queijo com refrigerante para depois nos dar carinho.

“Aos 10 anos, descobrimos na internet que dava para trocar de sexo”

Sempre tivemos vontade de tirar o órgão masculino da gente, mas quando éramos criança ainda não sabíamos que existia essa possibilidade da cirurgia. Até que um dia, minha irmã gêmea comentou pela primeira vez sobre isso, aos 10 anos, quando voltávamos da igreja.

A Sofia descobriu pela internet. Desde então, passamos a pesquisar cada vez mais sobre o procedimento. Sempre fomos espertinhas com informática e limpávamos as pesquisas do histórico do navegador do computador do nosso pai, porque no início tínhamos receio de contar sobre essa vontade em casa.

O medo dos nossos pais era de como a sociedade iria nos tratar. Se a mulher já luta tanto para alcançar seus objetivos, imagine uma mulher trans. É muito mais difícil, ainda mais em um país tão transfóbico como o Brasil.

Eles sempre souberam que éramos meninas. Não sei se tinham conhecimento da existência da cirurgia. Quando nós contamos, aos 10 anos, não me recordo muito bem o momento em si, acabaram descobrindo toda a burocracia para o processo. Eles acabaram pesquisando juntos com a gente e auxiliaram no início do acompanhamento médico a partir dos 15 anos, com o tratamento hormonal. Corremos juntos atrás de tudo. Veja o relato completo no site UOL.