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5 de dezembro de 2021
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TÓQUIO — No poder há menos de um ano, o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, anunciou, nesta sexta-feira, 3, que não concorrerá à reeleição para a liderança do governista Partido Liberal Democrata (PLD), efetivamente renunciando ao comando do país. A decisão foi tomada pelo premier após sua popularidade despencar nos últimos meses, um reflexo da sua criticada resposta à Covid-19, cujos casos quintuplicaram desde o início dos Jogos Olímpicos, em agosto.

Suga tomou posse em 14 de setembro de 2020, pouco após seu antecessor, Shinzo Abe, o premier mais duradouro da História japonesa, renunciar por motivos de saúde. Filho de um agricultor e antigo operador dos bastidores políticos japoneses, o primeiro-ministro com frequência parecia desconfortável sob os holofotes.

Sua saída, contudo, levanta temores de que o Japão volte à época de alta rotatividade na chefia do governo que antecedeu os quase oito anos de Abe à frente do Japão. Nos seis anos anteriores ao mandato do ex-premier, foram seis primeiros ministros diferentes. A tendência, contudo, é que não haja grandes rupturas políticas.

Apesar da grande troca de primeiros-ministros, o conservador PLD de Suga e Abe está no poder no Japão desde sua fundação, em 1955, com breves intervalos nos anos 1990 e no início da década de 2010. O partido agora precisará escolher um novo líder, que o guiará nas eleições gerais marcadas para 30 de novembro.

Em uma entrevista coletiva na tarde desta sexta (madrugada de sexta, horário do Brasil), Suga disse que deseja focar o restante de seu mandato no combate à pandemia, que já infectou mais de 1,5 milhão de japoneses e matou 16,2 mil deles. Grande parte do país, incluindo a região metropolitana de Tóquio, está em estado de emergência devido à alta incidência de casos e à falta de leitos.

Escolhas

Com a disputa pela liderança partidária marcada para começar no dia 17 e terminar no dia 29, o premier disse ter percebido que precisaria fazer uma escolha:

“Eu ponderei concorrer, mas seria necessário uma energia imensa para [coordenar] medidas de resposta ao coronavírus simultaneamente a uma campanha eleitoral. Eu não posso fazer as duas coisas. Eu devo focar nas medidas anti-Covid”, afirmou Suga, também afetado por uma campanha de vacinação que avança lentamente e está bem atrás da maioria dos países mais ricos, com apenas 58% da população total tendo tomado ao menos uma dose e 47%, completado o ciclo vacinal, contra mais de 60% que já tomaram duas doses na maioria das nações desenvolvidas.

A aprovação de Suga havia caído da casa dos 60% no início do ano para menos de 30%, levantando preocupações sobre como seria o desempenho do PLD na próxima eleição geral. A pressão sobre ele, contudo, aumentou após a Olimpíada — segundo uma pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos em julho, 78% dos japoneses eram contra a realização do evento naquele momento.

Desde então, os casos de coronavírus, dispararam no país. Quando os Jogos começaram, em 23 de julho, o Japão via em média 3.936 novos diagnósticos diários da doença. No último dia 26, o país viu seu pico de infecções em toda a pandemia, com 23.065 casos registrados. Com o endurecimento das medidas sanitárias, as novas infecções caem desde então, estando hoje na casa de 19,4 mil ao dia. Leia a matéria completa em O Globo.