22 de janeiro de 2021

Mencius Melo – Da Revista Cenarium

MANAUS – A prisão de Jender Lobato, atual presidente do bumbá Caprichoso, nesta segunda-feira, 23, durante a operação da Polícia Federal (PF), acendeu as “luzes amarelas” no maior evento folclórico do Brasil. Toda cadeia econômico e turística do Amazonas aguarda a resolução de um capítulo desconfortável em Parintins.

Por reunir marcas nacionais e internacionais no festival, a REVISTA CENARIUM entrevistou agentes que constroem o espetáculo. Personagens de um evento vivo, que mesmo cancelado por conta da pandemia em 2020, promete retornar em 2021.

Presidente do Bumbá Caprichoso, Jender Lobato, integra lista de presos pela PF (Reprodução/ Internet)

Para o diretor-presidente da Maná Produções, empresa responsável pela captação de patrocínios para o festival, André Guimarães, o momento é de cautela e prudência. “Nós estamos aguardando o desenrolar dos fatos, precisamos entender antes de mais nada, que se trata de um processo legal”, avaliou André Guimarães.

Direito de defesa

Para o executivo, a questão passa pelo entendimento de que no Brasil, existe respeito pelas instituições. “É bom que se entenda que a pessoa envolvida, tem todos os direitos assegurados como o de ampla defesa e o direito ao contraditório, por tanto, é importante entender que alguém só é realmente culpado quando se esgotam todos os recursos”, destacou.

“Além disso, é realmente necessário separar as coisas. A pessoa hoje envolvida está presidente do Caprichoso, mas as acusações em nada tem haver com o caprichoso. São inclusive, acusações anteriores ao exercício de presidente do Caprichoso no qual Jender assumiu há pouco mais de um ano”, enfatizou Guimarães.

Para ele, agora é aguardar o desenrolar dos fatos. “Não vamos fazer nenhum julgamento antecipado, não tem nada a ver com o Caprichoso. Esse é momento de reconstrução do festival de Parintins. Não existe nenhum envolvimento de vetores do festival. Não é justo transferir para o Caprichoso uma situação em que ele não tem nada a ver”, pontuou.

Solidariedade

Presidente eleito do Garantido, Antônio Andrade desautorizou qualquer troça por parte da galera vermelha e branca, com a situação. “Primeiro precisamos entender que Garantido e Caprichoso são adversários na arena, mas parceiros na construção do festival que é a alma de Parintins. Dito isso precisamos defender os bois”, convocou.

O presidente do Garantido, Antônio Andrade, conclama pela blindagem das instituições, que são os bois de Parintins (Reprodução/Internet)

“Não gosto e não apoio deboche com a situação por parte dos torcedores do Garantido. É algo que não tem nada a ver com o Caprichoso. Não envolve o Caprichoso. Diz respeito a uma pessoa que hoje, por acaso, é presidente do Caprichoso. É uma situação que precisa ser esclarecida o mais rápido possível”, advertiu Andrade.

Para o dirigente vermelho, é preciso entender que os bois são parte integrante da vida e da cultura do Amazonas e do Brasil. “Os bois são instituições do Amazonas, de Parintins e do Brasil. São patrimônio imaterial da cultura brasileira e a vida de centenas de parintinenses. Caprichoso é parceiro do Garantido e vamos defender sempre essa existência”, finalizou.

Entenda o caso

O presidente do Boi-Bumbá Caprichoso, Jender Lobato, foi preso na manhã de hoje, 23, durante operação da Polícia Federal em Manaus. Jender Lobato é acusado de fraudar licitação para o fornecimento de transporte escolar em Presidente Figueiredo, distante a 126 quilômetros da capital. Jender é parintinense e foi eleito por aclamação presidente do bumbá azul há pouco mais de um ano.

Na operação foram cumpridos quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão. Foram presos ainda: Sérgio Vianna, de 74 anos, pai do deputado estadual Saullo Vianna e ex-presidente do Movimento Marujada, do Boi Caprichoso. Rosedilce de Souza Dantas, sócia da empresa de Saullo e Udsom Maranhão, engenheiro e funcionário da prefeitura de Presidente Figueiredo.

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