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17 de maio de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Profissionais da comunicação relataram nesta segunda-feira, 19, danos psicológicos por conta da cobertura da crise da pandemia da Covid-19 no Amazonas. Em debate no 1º Encontro de Jornalistas, jornalistas consolidados da área lembraram do colapso da rede de saúde no Estado e o medo de se infectarem.

O encontro, que ocorre nos dias 19, 21 e 23 de abril, aborda sobre os novos rumos e o futuro da profissão na era digital. Neste primeiro dia, o evento começou com a jornalista e mediadora do debate, Anny Girão, relembrando a confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Amazonas, em 13 de março de 2020, e a fatídica morte da então diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto.

“A pandemia de Covid-19 afetou o mundo, causando impactos sociais, econômicos, político e histórico sem prescendentes. O que, quem, quando, onde, como e por quê está sendo reportado no presente por jornalistas para que no futuro os fatos do passado sirvam de reconexão, aprendizado e mudanças de ações para oportunizar novas histórias”, refletiu Anny.

O repórter da Rede Amazônia, Meike Farias, lembrou a rotina de trabalho durante a pandemia. Segundo ele, com o isolamento social e as restrições impostas pela pandemia, os profissionais precisaram se readaptar em meio ao aumento da carga de trabalho e a redução de força de trabalho.

“No meu caso, eu ia trabalhar com muito medo, porque é um vírus novo, os impactos novos e a gente conhece muito pouco dessa doença e infelizmente nós acompanhamos muitos absurdos, por conta do comportamento das pessoas. Nós, repórteres de rua, vivemos por várias situações delicadíssimas, de extremo perigo e a gente conta com a proteção divina, pois a gente precisa cumprir a nossa missão”, lembrou.

Para Farias, mais do que nunca, a atividade profissional do jornalista foi e está sendo extremamente importante na cobertura da pandemia da Covid-19. “Extremamente importante, no sentido em que as pessoas, ao se depararem com a grandiosidade, complexidade do evento [da pandemia], tiveram a noção do que estava acontecendo”, destacou.

No debate, o jornalista lembrou ainda das perdas de amigos e colegas para o vírus e deixou uma reflexão sobre o comportamento da população diante da gravidade da crise. Para Meike, é preciso de mais valorização e respeito à ciência e aos pesquisadores.

Crise

A jornalista e escritora, professora Liege Albuquerque, que faz reportagens textuais como freelancer para veículos da comunicação de renome nacional, lembrou que teve crise de ansiedade ao realizar reportagens sobre a segunda onda da Covid-19, em meio ao colapso na rede pública e privada de saúde no Amazonas.

“Fiquei em pânico, na verdade, com tudo aquilo que estava acontecendo”, relata Liege, ao lembrar sobre o freela de 15 dias para o jornal Estadão. Liege salientou que nunca foi infectada pelo vírus, pois pôde produzir matérias de casa.

“A minha ansiedade, fiquei pensando: ‘será que ela vai piorar ou melhorar?’. E ela melhorou, porque eu sentia que estava colocando tudo aquilo [no texto] para o Brasil ver”, reforçou.

O fotojornalista Raphael Alves, colaborador da agência francesa EFE, disse que tem claustrofobia, fobia do medo de espaços fechados ou confinados. Atuar na pandemia, para o profissional, acabou se tornando mais desafiador para ele. Alves lembrou ainda o trabalho sensível e delicado de fotografar momentos marcantes da pandemia.

“Eu vi muita gente já falecida e isso abala muito a gente. Mas, eu decidi fazer isso com o intuito de deixar uma colaboração. Quem vai dizer se ela vai servir, mas a minha intuição é colaborar com a sociedade como um todo, deixar algo, alertar e mostrar a necessidade que a gente tem de utilizar máscara e cumprir as medidas de segurança que são sustentadas pelas autoridades de saúde”, comentou.

Participaram do debate, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (SJPAM), Wilson Reis, o repórter da Rede Amazônica, Meike Farias, a jornalista e professora, Liege Albuquerque, o fotojornalista Raphael Alves, com a mediação da jornalista Anny Girão.