Programa de governo de Bolsonaro é genérico, mantém foco nas privatizações e pressão na ZFM

O programa de governo para a reeleição de Jair Bolsonaro está sendo coordenado pelo pessoal que trabalha com o candidato a vice na chapa, general Braga Netto, que tenta mantê-lo trancado a sete chaves. Todas as propostas, sejam as ligadas à infraestrutura, política ou economia, estão sendo feitas de maneira genérica. A ideia inicial era nem ter programa de governo. Na equipe de campanha, todos dão como certa a permanência de Paulo Guedes no Ministério da Economia e, com ele, se mantém a agenda liberal e a pressão sobre todo o tipo de incentivos fiscais, a exemplo da Zona Franca de Manaus, que segue sendo golpeada pelo governo federal.

Agenda liberal

Já se sabe que a orientação é reafirmar a disposição de continuar reduzindo os impostos, o que é mortal para a ZFM, uma vez que a âncora que sustenta o Polo Industrial de Manaus são os subsídios sobre os tributos para quem se instala no PIM. A expectativa é de que, como não poderá mais disputar a reeleição, haverá mais determinação de num eventual novo governo, levar adiante uma Reforma Tributária, ainda que mais enxuta. Quando ainda era braço direito de Paulo Guedes, a atual presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, apresentou sugestões de condução da economia para um segundo mandato, que segue escondido.

Petrobras e Correios na mira

As privatizações continuarão na mira de Bolsonaro e sua equipe econômica. A venda dos Correios, que estava na lista para este ano, acabou sendo adiada pelas dificuldades que o governo enfrentou e que, certamente, continuará enfrentando. A privatização da Petrobras, prometida por Bolsonaro para o segundo mandato, no entanto, é uma outra discussão bem mais polêmica para ser levada adiante. A promessa de venda de estatais tem sido reiterada por Bolsonaro em busca de apoio político de grandes investidores interessados nessas empresas.

Lula, BRICS e América Latina

Enquanto Bolsonaro reúne embaixadores do mundo inteiro para fazer acusações sem prova contra o sistema eleitoral, Lula trabalha em duas frentes. A primeira são os BRICS, agrupamento de países emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China, cujos embaixadores devem se reunir com o petista nos próximos dias. A segunda é a América Latina. Nesta terça-feira, 26, a vice-presidente eleita da Colômbia, Francia Márquez, se reúne com Lula na sede da Fundação Perseu Abramo, em São Paulo.

Tebet em SP

A pré-candidata do MDB, Simone Tebet, foi recebida pela primeira vez por um prefeito tucano em São Paulo. Foi em São Bernardo do Campo, no ABC, com o Orlando Morando, mas sem a presença do governador Rodrigo Garcia. Os dois, raramente, são vistos juntos e Garcia vai oferecer também seu palanque ao candidato do União Brasil, Luciano Bivar (PE). Após sofrer com a debandada de líderes políticos pró-Lula, Tebet foi levada por Morando a um símbolo do antipetismo no ABC Paulista: a Fábrica de Cultura, onde seria o Museu do Trabalhador, projeto fracassado do ex-prefeito Luiz Marinho.

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