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16 de janeiro de 2022
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Com informações da assessoria

MANAUS — O dia 14 de janeiro de 2021 ficou marcado como o momento de colapso da saúde no Amazonas em decorrência da pandemia de Covid-19. Há um ano, todos os hospitais de Manaus encontravam-se sem oxigênio para atendimento das pessoas internadas. Faltava este insumo em todo o Estado e a empresa produtora não dava mais conta de atender a demanda. Para piorar o cenário: o poder público havia sido informado semanas antes e nada fez. Uma intensa mobilização da sociedade civil buscou compensar o pior da crise, mas muitos perderam a vida. Na noite dessa quinta-feira, 13, um grupo de ativistas fez projeções em pontos da cidade para lembrar esta grave crise.

Com frases como “Para que não se esqueça” e “Janeiro de 2021 nos deixaram sem respirar”, a ação foi realizada em diferentes locais da zona Norte e da zona Sul da cidade, atraindo a atenção de pessoas que passavam pelos pontos de projeção. 

Ativistas Michelle Andrews (à esq.) e Alessandrine Silva (Alonso Junior)

Além de homenagear as vítimas da tragédia, a ação buscou cobrar a responsabilidade de agentes do poder público que cometeram erros na condução da crise. Para Michelle Andrews, ativista do Coletivo Difusão que coordenou a projeção, a crise do oxigênio é um exemplo de má gestão: “Há um ano, o Amazonas enfrentava o pior estágio da pandemia, e a pior face da má gestão pública, é um dever de todos cobrar a responsabilidade daqueles que deveriam ter atuado, mas preferiram abraçar o negacionismo”.

A CPI da Covid-19 realizada pelo Senado Federal recomendou o indiciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de mais 77 pessoas e de duas empresas para serem investigados por diversos crimes, entre eles, epidemia com resultado de morte, prevaricação, e o mais grave crime contra a humanidade. “Existem muitas perguntas sem respostas: por qual motivo o governo federal não encaminhou as cargas extras de oxigênio no dia em que foram informados do possível déficit? Por qual motivo a FAB não encaminhou os cilindros arrecadados de forma imediata?”, lamenta Alessandrine Silva, ativista e bacharel em Direito. 

Ativistas do Coletivo Difusão coordenaram as projeções (Alonso Junior)

A ação ‘Para que não se esqueça’ foi realizada em meio a nova onda de contaminação por Covid-19 que volta a preocupar devido à disseminação da variante Ômicron. De acordo com o boletim de quinta-feira, 13, da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), foram registrados 2.404 novos casos de Covid-19 no Estado. A importância da vacinação está evidente nos números dos internos em leitos clínicos, de 121 pacientes não tomaram vacinas e 51 tomaram apenas a primeira dose. 

Histórico

O grupo responsável pela ação tem se mobilizado desde o início da pandemia de Covid-19 em ações relacionadas a mitigar os efeitos do enfrentamento à doença. Em abril de 2020, o grupo se mobilizou para conseguir materiais de segurança para profissionais da saúde e criação de faixas de conscientização para dispor em bairros da cidade.

Em janeiro de 2021, integrantes do grupo se mobilizaram na busca por oxigênio, transporte de cilindros e distribuição de cestas básicas para a população vulnerável. Após o início da vacinação, houve ainda a mobilização para a carona solidária de idosos que não tinham como se deslocar para serem vacinados.