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16 de setembro de 2021
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Com informações do Portal Geledés

A partir desta quarta-feira, 8 estão abertas as inscrições para a 4ª Bolsa IMS de Pesquisa em Fotografia. Com o intuito de contemplar uma maior representatividade de vozes e identidades, a partir deste ano, serão concedidas duas bolsas, ao invés de uma, como acontecia antes. Pelo menos um dos projetos selecionados será de autoria de pessoas que pertençam a grupos historicamente silenciados. 

Nesta edição, uma das bolsas será destinada exclusivamente a pessoas indígenas, preferencialmente de povos do Alto Solimões e do Rio Negro. A outra será aberta para todes que desejarem se inscrever, com estímulo para que indígenas se candidatem também. O valor é de R$ 30 mil para cada projeto, pago em 12 parcelas mensais de R$ 2.500,00. As inscrições seguem abertas até 31 de outubro, e o resultado será divulgado em novembro no site do IMS.

Os projetos inscritos devem propor análises críticas a respeito dos primeiros registros fotográficos conhecidos sobre a floresta amazônica brasileira, produzidos pelo fotógrafo alemão Christoph Albert Frisch (1840-1918), pertencentes ao acervo do IMS. Quem se candidatar deverá optar entre dois eixos de pesquisa distintos (mais informações abaixo). As inscrições serão avaliadas por uma Comissão de Seleção, que será constituída por três profissionais.

Para concorrer, é recomendável ter concluído o mestrado ou, em sua falta, ter graduação completa em qualquer área e comprovar pelo menos três anos de experiência na realização de projetos de pesquisa em ciências humanas ou sociais. Em caso de pessoas estrangeiras, é necessário residir no Brasil há, no mínimo, um ano.

Ao término do projeto, cuja duração máxima é de um ano, deverá ser apresentado um relatório final, um artigo de conclusão do trabalho e uma palestra aberta ao público. Os acervos do IMS que serão consultados durante a pesquisa se encontram disponíveis digitalmente, garantindo assim a realização dos trabalhos de forma remota.

Apresentação do tema e dos eixos de pesquisa

Entre 1867 e 1868, o alemão Christoph Albert Frisch realizou uma expedição fotográfica pelo rio Solimões, de Tabatinga a Manaus, e pelo rio Negro, nos arredores da capital da então província do Amazonas. Durante a viagem, produziu as primeiras fotografias conhecidas sobre a floresta amazônica brasileira, seus habitantes, sua flora, sua fauna e as nascentes vilas ribeirinhas. Os registros foram feitos durante o governo imperial, logo após a permissão da navegação comercial internacional pelo rio Amazonas e seus afluentes. 

O resultado mais conhecido dessa expedição é o conjunto composto por cerca de 100 imagens, editado pelo patrocinador da expedição, o fotógrafo e editor Georges Leuzinger (1813-1892). A obra completa, contudo, não foi a única forma de circulação dessas fotografias no século XIX e nas primeiras décadas do século XX.

Elas também foram distribuídas e comercializadas pelo autor e pelo editor em álbuns com títulos diversos, como parte de outros álbuns e de coleções. Foram ainda publicadas em livros, entre outros formatos e, após a morte de Frisch e de Leuzinger, recuperadas por seus familiares, passaram a integrar outros conjuntos.

Distinções

Além de uma versão completa do álbum sobre a expedição, o acervo do IMS guarda diversas fotografias de Frisch em outros seis conjuntos distintos. A partir desses diferentes formatos, a bolsa propõe dois eixos de pesquisa, um para cada projeto selecionado. 

No primeiro eixo, voltado apenas a pessoas indígenas, será incentivada a produção de leituras críticas sobre as imagens que integram o álbum de Frisch, do ponto de vista dos retratados. Como as populações indígenas enxergam essas imagens hoje? O que os registros revelam sobre o papel da fotografia nos projetos de colonização? Quais contrapontos é possível estabelecer?

Segundo Ileana Pradilla Ceron, responsável pelo Núcleo de Pesquisa em Fotografia do IMS, o objetivo é “confrontar as narrativas visuais e textuais construídas pelo fotógrafo com a experiência e a visão de mundo indígenas, para evidenciar outros sentidos e significados presentes nas primeiras fotografias sobre a região amazônica, ocultos ao olhar colonial e ocultados por ele. Seria possível recontar a expedição fotográfica de Frisch a partir do lugar de fala dos povos retratados?”

Significado

Nesse sentido, um dos caminhos possíveis para a pesquisa, segundo Ceron, seria “partir do próprio significado do rio Amazonas para os povos que nele habitam, e contrastá-lo com o lugar e a forma que Frisch lhe atribui em suas representações”. 

A segunda linha propõe a análise das imagens produzidas por Frisch, tanto em sua obra completa como enquanto integrantes de outras coleções. O estudo das fotografias, a partir das duas situações, permitirá interrogar o álbum e sua narrativa e, ao mesmo tempo, problematizar as mesmas imagens enquanto formadoras de outras construções, não previstas pelo autor.

“Mais do que elencar as diferenças entre elas, o estudo comparativo das várias versões das fotografias pode fornecer instrumentos para melhor responder a pergunta sobre como hoje podemos compreender e dimensionar a obra que Frisch construiu sobre a Amazônia”, afirma Ceron. 

Inscrições

As inscrições estarão abertas no período de 8 de setembro a 31 de outubro de 2021.

A candidatura é feita em duas etapas: 

– Preenchimento do formulário de inscrição online, no endereço: bolsadepesquisa.ims.com.br

– Envio do material de inscrição, descrito no edital, exclusivamente por e-mail, até 23h59 do dia 31 de outubro, para o endereço bolsadepesquisa@ims.com.br

O edital da bolsa está disponível em: bolsadepesquisa.ims.com.br