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23 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Cenarium

MANAUS – Em meio à pandemia da Covid-19 e à realidade cada vez mais alarmante de mulheres em vulnerabilidade socioeconômica, o projeto “Ciclo Solidário” surge para realizar ações de combate à pobreza menstrual. Somente em Manaus, capital do Amazonas, a iniciativa já atendeu cerca de 500 mulheres com doações de absorventes e materiais para higiene pessoal.

Nesta terça-feira, 22, a idealizadora do projeto, Cristiana Marinho, contou que o maior objetivo da ação social é resgatar a dignidade das mulheres, igualando todas as classes – entre elas, indígenas, ribeirinhas, negras, mulheres com deficiência auditiva, além das mulheres privadas de liberdade, jovens marginalizadas e mulheres trans – para disseminar informações, educação e o empreendedorismo feminino.

“Desenvolvemos o projeto por meio de metodologias, como ações sociais, informações, prevenção e palestras. Nós trabalhamos por meio de cores e como estamos no setembro amarelo, estamos atuando com os eventos em relação ao mês, que fala da prevenção ao suicídio, saúde mental, que infelizmente está muito afetada em meio à pandemia”, destacou Cristiana.

Veja também: No Brasil, 28% das mulheres já perderam aula por não conseguirem comprar absorvente

O Ciclo Solidário é desenvolvido em Manaus, com a parceria da igreja, associações comunitárias e da população. Além da capital, o projeto será expandido para os municípios do interior do Amazonas ainda este ano, segundo Cristiana. “O ciclo é isso, é resgatar a dignidade menstrual e tirar essas mulheres da vida ociosa, entregar a elas a dignidade que elas merecem”, salientou Marinho.

Projeto tem parceria com a igreja (Reprodução/Instagram)

Como participar

Para participar do projeto, é disponibilizado um cadastro para as mulheres que têm interesse em receber a assistência social. Após essa etapa, uma equipe de profissionais do Ciclo Solidário realiza uma visita à residência da pessoa inscrita para conhecer a realidade que ela vive. A partir desse processo, a iniciativa tem início.

Segundo Cristiana Marinho, é durante as visitas que as mulheres em realidade de pobreza menstrual é exposta. Ela destaca que, cada vez mais, vem crescendo o número de meninas que não são instruídas e não são atendidas em necessidades básicas femininas.

“Estou até espantada pelo tanto de mulheres que têm nos procurado. Não são só as mulheres biológicas, são as mulheres de rua, surda, privadas de liberdade, as trans, e tantas outras que fazem parte do Ciclo Solidário”

Cristiana Marinho, idealizadora do Ciclo Solidário.

“O Ciclo Solidário não é só a doação de absorventes, mas acima de tudo: educação, informação, prevenção e empreendedorismo, porque junto conosco também tem os nossos parceiros que levam oficinas a elas, para que possamos ajudar elas a saírem da vida ociosa. Futuramente, tenho certeza que elas estarão no mercado de trabalho, informal ou formal, mas que sejam protagonistas da história delas”, continuou a idealizadora do Ciclo Solidário.

Além de absorventes, a ação social faz doações de shampoo, condicionador, sabonetes e desodorantes de qualquer marca. Para ajudar, basta entrar em contato com o Ciclo Solidário, por meio do número (92) 99141-9265 ou pelas redes sociais.

Problema nacional

A pobreza menstrual é uma realidade que afeta 213 mil jovens brasileiras. É o que aponta a Pesquisa Nacional da Saúde Escolar (Pense), revelando a falta de acesso aos produtos de higiene básica no período menstrual. Segundo o levantamento publicado em novembro de 2020, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a exclusão social provocada pelo fenômeno resulta na evasão escolar, atrapalha o desempenho e a carreira de jovens estudantes, dificultando ainda mais os afazeres do cotidiano.

Veja também: ‘Dignidade Menstrual’: lei garante absorventes para mulheres no Amazonas

No Amazonas, o programa “Dignidade Menstrual”, sancionado pela Lei Estadual n° 5.550, de 28 de julho de 2021, garante que meninas e mulheres recebam de forma gratuita absorventes para assegurar a proteção durante o ciclo menstrual. O item foi classificado como “bem essencial e produto de higiene básica” no Estado e será destinado às estudantes das escolas a partir do ensino fundamental da rede pública.

Pobreza menstrual é uma realidade que afeta 213 mil jovens brasileiras (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Além delas, jovens em regime de semiliberdade ou internação em estabelecimentos educacionais de gestão estadual, pela prática de atos infracionais, a população recolhida nas unidades prisionais do Estado, acolhidos nas unidades e abrigos sob gestão estadual, em situação de vulnerabilidade, pessoas em situação de rua e em situação familiar de extrema pobreza, também serão beneficiadas.

Para a idealizadora do projeto Ciclo Solidário, a assistência não deve ser somente com a entrega do absorvente, mas também com o acolhimento das mulheres. “É um debate muito amplo. Não é só a entrega do absorvente, é também ouvir essas mulheres, ver a realidade de perto, e o Ciclo Solidário é isso. Ele acolhe essas mulheres. Para que elas possam sair da vida ociosa”, concluiu.