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23 de junho de 2021
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Por Luciana Bezerra – Especial para a Revista Cenarium

Pará — O encontro entre a marca de biojoias Da Tribu e a comunidade extrativista de Pedra Branca, localizada na Área de Proteção Ambiental da Ilha de Cotijuba, no Pará, começou em 2017 e desde então, vem colhendo louros e recriando uma nova possibilidade de pensar e criar moda, levando em consideração o saber tradicional, a responsabilidade socioambiental, o respeito aos territórios e as comunidades onde são extraídas as matérias-primas para a confecção das joias orgânicas da marca.

Agora essa jornada é tema da exposição virtual “O futuro é coletivo”, que será lançada no próximo sábado, 5, data em que é comemorado o Dia do Meio Ambiente, e integra ancestralidade, arte e sustentabilidade no futuro da moda. Além de resgatar a tradição do trabalho no seringal, a iniciativa promoveu autonomia financeira e sustentabilidade para as famílias da região.  

De acordo com Kátia Fagundes, artesã e fundadora da marca, a exposição, produzida em ambiente 3D e criada pelo artista visual Lucas Mariano, retrata o passado, o presente e o futuro desta parceria, por meio de fotografias de João Urubu, Kleyton Silva e Luiza Chedieck, além de vídeos e textos que contam a história de um grupo de mulheres e suas famílias geram renda e o empoderamento feminino a partir da extração do látex da floresta, sem degradar o meio ambiente. O lançamento será neste sábado, 5, às 11h, com abertura da mostra virtual e bate-papo com diversos convidados sobre moda e sustentabilidade.  

Katia afirma ainda que a iniciativa tem como objetivo mostrar como um projeto socioambiental pode ajudar comunidades inteiras a gerar a própria renda. Segundo ela, é tempo de olhar para o futuro, porém, sem deixar de lado os saberes ancestrais. E que, o ciclo da borracha do século 21 tem a mulher como protagonista. 

“O novo ciclo da borracha é feminino, caracterizado pelo protagonismo dessas mulheres e jovens da comunidade, pela consciência de que vivem em um mundo global, entendendo o passado para construir a narrativa do futuro, de preservação dos recursos naturais, enxergando-se como parte da construção de um novo mundo”, enfatiza Katia.

Na comunidade de Pedra Branca, o trabalho coletivo é o caminho criativo para transformar renda e empoderamento feminino (Kleyton Silva/Reprodução)

Criada em 2009, em Belém, do Pará, por Kátia Fagundes, a Da Tribu, hoje, é coordenada por sua filha, Tainah Fagundes, que é diretora de criação da marca e responsável pela produção de acessórios contemporâneos – colares, anéis, brincos e pulseiras – com tecnologia da floresta, valorizando a biodiversidade e o meio ambiente por meio de dois insumos: fios de algodão cobertos de látex e papel reciclado.

Tainah ressalta que o projeto “O futuro é coletivo”, que é tema da exposição, foi premiado por meio do Edital de Credenciamento Aldir Blanc do Sesc Pará, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado do Pará.

“O projeto celebra a construção de relações mais justas e éticas no mercado da moda. Acreditamos que é possível uma relação direta, humana, de uma cadeia horizontal, onde o futuro tenha força coletiva, relação de trabalho, ética e transparência com um comércio justo. Queremos mostrar que existem populações dedicadas a esse processo, que é um conhecimento ancestral indígena. Hoje, essas comunidades são guardiãs da floresta, desses saberes, dentro dessa valorização do conceito da floresta em pé.”.

A diretora de criação Da Tribu destaca ainda que será mediadora de cinco lives que compõem o projeto e serão realizadas entre os dias 5 a 26 de junho, com diversos convidados para debater moda e sustentabilidade.

Processo de criação dos fios

A técnica de fabricação dos fios e tecidos é desenvolvida na comunidade de Pedra Branca, onde é extraído o látex. A borracha faz parte da história da região Norte desde a década de 1960. Com a desvalorização da matéria-prima no mercado mundial e a crise dos anos 1980, a demanda pelo látex despencou, e os seringueiros precisaram atuar em outras frentes, como a pesca, transporte de passageiros e atividades turísticas na região.