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17 de novembro de 2021
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Cassandra Castro – Da Cenarium

BRASÍLIA – Não são apenas os adultos que sofrem consequências profundas relacionadas à saúde mental devido à pandemia da Covid-19. As crianças e adolescentes também sentem o impacto no psicológico e emocional. O alerta está em um relatório divulgado neste mês pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Realizado em 21 países, o levantamento calcula que, em todo o mundo, cerca de uma a cada sete crianças ou adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental já diagnosticado.  

A complexidade do problema que envolve a saúde mental de crianças e jovens pode ser combatida por meio de parcerias. Uma das iniciativas que existem no Brasil é realizada pela Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (Adra), que firma parcerias com prefeituras, Estados, entidades e outros segmentos da sociedade civil para realizar projetos que tragam qualidade de vida a esse público.

A psicóloga Nayla Jeske, pós-graduanda em neuropsicologia, salienta que o desenvolvimento de programas como os idealizados pela Adra promove a saúde mental de crianças e adolescentes. “Esses programas visam a transposição de experiências adversas, desenvolvendo a habilidade para lidar com os problemas (traumas, perdas, frustrações etc.), transformando-as em pessoas capazes de enfrentar crises e seguir em frente”, destaca Nayla.

Projeto Garotas Brilhantes

A informação é uma das armas no combate a situações que atingem a saúde mental das jovens (Assessoria/Adra)

Em Gravataí, no Rio Grande do Sul, a Adra mantém o Projeto Garotas Brilhantes. A ação é voltada para adolescentes de 11 a 17 anos que vivem em situação de vulnerabilidade. São realizadas palestras educativas para as jovens que iniciam a vida sexual na adolescência e não possuem informações necessárias para cuidar da própria saúde.

O projeto é aplicado na Escola Estadual Carlos Bina, uma região com alto índice de criminalidade, gravidez na adolescência e suicídios. A iniciativa conta com oficinas aplicadas, por meio de dinâmicas e rodas de conversa, sob os temas: autoestima; autocuidado; autodesenvolvimento pessoal e autovalorização; suicídio; automutilação; gravidez na adolescência; sexualidade; relacionamentos abusivos; alcoolismo; drogas; abusos sexuais e psicológicos; e violência.

Flavia Cardoso é assistente social e coordena o projeto. Ela conta que apresentar a possibilidade de mudança é algo transformador. “Saber que garotas mudarão a trajetória da sua história com mais consciência nas escolhas, com propósitos e autonomia, é o que nos move. Entendo que uma garota melhor preparada pode mudar sua vida, família e comunidade, e isso nos enche de esperança”, declara a assistente social.

A adolescente Kalline Lamarque, de 15 anos, estava passando por momentos difíceis. Apoiada pelos pais, começou a frequentar o “Garotas Brilhante” e tem despertado novas realidades para sua vida. “Estou amando! Cada quinta-feira consegue superar a outra e ser melhor ainda. Estou aprendendo a me olhar de outra forma e a correr atrás dos meus sonhos”, revela Kalline.

Doenças mentais agravadas pela pandemia

Realizado em 21 países, o levantamento feito pelo Unicef calcula que em todo o mundo, cerca de uma a cada sete crianças ou adolescentes entre 10 e 19 anos vive com algum transtorno mental já diagnosticado.  O isolamento social, restrições de mobilidade, quebra de rotina e escolas fechadas por um longo período ajudaram a alimentar as angústias que já existiam, mas que antes podiam ser percebidas no convívio social.  Aqui no Brasil, país que também participou do estudo, foi revelado que 22% dos adolescentes e jovens de 15 a 24 anos manifestam sentir-se deprimidos e sem interesse em praticar alguma atividade.

Por todo o Brasil

Além do Rio Grande do Sul, a Adra opera a área de prevenção e auxílio direto a crianças e adolescentes em situação vulnerável nos Estados do Espírito Santo, Amazonas, Rio de Janeiro, Rondônia, Bahia, São Paulo, Santa Catarina e no Distrito Federal.