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18 de maio de 2021

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Matheus Pereira – Da Revista Cenarium

MANAUS – A psicanalista Samiza Soares afirma que o impedimento do prejuízo emocional de criança em tempos de isolamento social causado deve passar primeiramente pelo cuidado da saúde mental dos próprios pais e responsáveis. Em entrevista nesta segunda-feira, 19, a especialista detalha que a crise mundial de Saúde colocou os adultos diante daquilo que são os papéis que precisam desempenhar no âmbito social e profissional e com as crianças não é diferente.

“A melhor forma de cuidar da criança é cuidando primeiramente de si mesmo. É válido que os pais se observem e se fortaleçam para poder transmitir para a criança, tanto a preocupação necessária diante da pandemia quanto o reasseguramento de que ela está sendo cuidada”, explica Samiza.

“Caso seja possível, é bom aproveitar o momento de crise, não apenas para impedir o prejuízo emocional, mas também construir novos recursos emocionais”, destacou a psicanalista, que aponta mais uma vez, que para manter os cuidados com os pequenos é preciso que os adultos estejam sãos. A profissional também indica detalhes sobre a percepção e acolhimento das dores das crianças.

Pesquisa

Segundo uma pesquisa do Instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial (FEM), 53% dos brasileiros declararam que ter o bem-estar mental piorado um pouco ou muito no último ano. Outro estudo da Fiocruz com seis Universidades apontou que sentimentos frequentes de tristeza e depressão afetavam 40% da população adulta brasileira, e 50% das pessoas relataram ter sensação frequente de ansiedade e nervosismo.

Samiza explica que as crianças podem estar tendo prejuízos no desenvolvimento emocional, não apenas em função do isolamento social, mas também das outras “crises dentro da crise”. Como por exemplo, da saúde, medo e até a crise financeira, além de outras formas como os pais ou responsáveis são afetados por essas crises as afetam.

“Mesmo que não atinjam diretamente a criança, vão inevitavelmente atingir seus cuidadores que poderão reagir diante desta situação de diversas formas. Dependendo do quanto se sentem capazes ou não de lidar com as ameaças como preocupação, estresse, desamparo”, completa a psicanalista.

“As crianças são muito perceptivas e tendem a se valer das emoções de seus cuidadores como “termômetro” para avaliar o grau de ameaça de determinada situação, e também tendem a espelhar os mecanismos de manejo que observam em seus cuidadores”, aponta a especialista.

Samiza aponta ainda que a terapia online pode auxiliar tanto adultos quanto crianças nessa fase de medos e angústias, trazendo equilíbrio emocional. “É interessante que esse ajuste seja conversado entre pais e filhos, abrindo espaço para a expressão das emoções e o estreitamento do vínculo. Uma das perdas mais difíceis para todos, inclusive as crianças, é a da rotina, então cair na permissividade é tirar da criança qualquer previsibilidade e sensação de controle sobre seu ambiente, podendo provocar insegurança e aumentar o sofrimento”, finalizou.