4 de março de 2021

Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que 40% dos brasileiros sofrem com distúrbio de sono. Por conta disso, a REVISTA CENARIUM entrevistou a psicóloga Leyane Goes para avaliar o agravamento das noites de insônia durante a pandemia de Covid-19.

“A pandemia teve um efeito muito profundo na vida das pessoas, principalmente na qualidade do sono. Muitos têm tido insônia em decorrência do aumento de estresse relacionado à pandemia do novo coronavírus”, destacou inicialmente Leyane.

Além disso, a profissional ressalta que a pandemia atingiu até quem não tinha o transtorno de sono. “Estamos indo para o segundo ano de pandemia e o distanciamento social abalou a rotina de todos, então vivemos com a incerteza”, explicou a psicóloga.

Acúmulo

Para a psicóloga isso causa ainda mais estresse. “Quem já sofria de insônia passou a ter mais e quem não tinha acabou tendo que sofrer com esses efeitos. Inclusive já existem estudos para essas consequências as quais os cientistas estão chamando de corona-insônia ou Covid-insônia”, ressaltou.

Goes ressaltou ser necessário procurar ajuda profissional e/ou psicológica, quando existir falta de sono associado a estressores. “Isso pode levar a distúrbios mais sérios do sono e infelizmente ainda não há uma solução imediata. O tratamento mais comum para insônia é a terapia cognitivo-comportamental que melhora a ‘higiene do sono’”, completou.

“E para quem não consegue buscar tratamento, minha dica é fazer um diário de atividades que sejam prazerosas e que possam ser feitas em casa. Pois uma rotina de atividades contribui para a melhoria do sono, podendo evitar alguns problemas antes de dormir”, disse Leyane.

Excessos

Para a jornalista Paula Regina, o excesso de informação e desinformação sobre o cenário de Saúde no Amazonas agrava a ansiedade, fato que a preocupa e causa noites de insônia, pois a profissional não consegue se desligar das noticias para descansar.

“Eu busco sempre procurar ajuda para me tratar. Mas, além disso, eu utilizo óleo essencial e consumo chá de camomila. Também faço meditação e tomo remédio calmante. Faço um conjunto de atividades que contribuem para a melhoria do meu sono”, destacou.

Em uma pesquisa divulgada no fim de maio de 2020, da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico Covid-19 (Vigitel), aproximadamente 42% dos entrevistados afirmaram que sofrem com distúrbios do sono. A palavra “insônia” foi a mais procurada na plataforma Google, entre abril e maio, quando iniciou as medidas mais rígidas de isolamento social.

Rotina positiva

Já a estudante de design Livia de Lima diz que a insônia sempre foi um fator rotineiro. “Ficava horas sem dormir, deitava e ficava muito tempo olhando para o teto do meu quarto, sem saber o que fazer. Demorei para entender que poderia estar com dificuldade no sono, mas eu aceitei e hoje trabalho isso em mim”, declarou.

Livia detalha uma rotina que, segundo ela, pode lhe ajudar a ter qualidade de sono durante a noite. “De dia eu tento fazer coisas que descansem a minha mente e que me deixem mais relaxada. Assim, pela parte da noite eu me sinto mais calma e consigo dormir um pouco mais”, afirmou.