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27 de janeiro de 2022
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Thiago Fernando – Da Revista Cenarium

MANAUS – Ano novo, vida nova. Essa famosa frase nunca fez tanto sentindo como em 2020. A pandemia do novo Coronavírus marcou o início da nova década. Com ela, novas rotinas e hábitos foram introduzidos no cotidiano mundial. De acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nessa sexta-feira, 22, quase 340 mil pessoas já morreram por causa da Covid-19, porém esse número pode ser bem maior devido à falta de exames disponíveis em muitos países. Além disso, a doença vem causando outros males psicossomáticos como a ansiedade e depressão. Outro mal também surgiu: a Covid-psicológica.

A psicóloga Amarynthis Bessa revelou a REVISTA CENARIUM que desde o mês de abril, alguns pacientes a procuraram para tratar desse transtorno criado pela ansiedade e pelo medo. Ela informou que essas pessoas chegaram a sentir vários dos sintomas já conhecidos da doença, porém, ao serem testadas, os resultados foram negativos. Para piorar, elas sequer estavam com alguma enfermidade.

“Essa pandemia vem causando muitos danos psicológicos para algumas pessoas. Estou atendendo alguns pacientes que acreditavam ter o Covid-19, mas deram negativo quando foram testados. Eles sentiram tudo. Desde falta de ar até perca do olfato e do paladar. Após realizarem outros exames, constataram que eles não tinham nem gripe e que isso estava sendo fruto da ansiedade e medo excessivo. Por isso foram encaminhados para o atendimento psicológico”, afirmou Bessa, que fez um alerta sobre a importância de saber lidar com as várias informações e dados que são divulgados sobre a doença.

Amarynthis Bessa alerta sofre o excesso de informações negativas durante a pandemia (Arquivo Pessoal)

“Muitas pessoas estão se isolando totalmente devido o medo e pavor que a doença gera. Além disso, estão consumindo muitas informações como o aumento de casos confirmados e mortes. Isso, se não utilizado da forma correta que é a necessidade de se proteger e criar uma nova consciência, acaba causando malefícios. Atendi uma moça que começou a ter falta de ar no meio da consulta. Nitidamente era ansiedade e pedi para que ela se acalmasse e começasse a conta. Após tudo voltar ao normal, expliquei que aquilo era reação do psicológico abalado e não um sintoma da doença. Agora, ela está fazendo isso em casa quando acontece”, exemplificou a psicóloga.

Esse é o caso do advogado Ribeiro Neto, 32. No inicio de maio, ele deu entrada no Hospital de Campanha Gilberto Novaes, localizado na Zona Norte de Manaus, com falta de ar, dores de cabeça e perca do olfato. Ao ser atendido e testado, ele descobriu que não estava com a Covid-19.

“Achei que estava com o novo Coronavírus. Antes disso, fiquei gripado e já preocupado. Um dia antes de sentir a fata de ar, descobri que um parente havia falecido vítima da Covid-19. No dia seguinte, já acordei com falta de ar e dores de cabeça. Tinha certeza que também tinha sido contaminado e que ia morrer. Após ser atendido e passar por exames, os médicos perceberam que o meu pulmão estava normal. Fui me acalmando e os sintomas passaram no mesmo dia. Um psicólogo me atendeu e constatou que eu estava passando por uma crise de ansiedade. Só depois disso percebi que realmente estava em pânico por causa dessa pandemia”, relatou Neto.

A jornalista Kattiúcia Villain, 29, também acreditou que tinha sido contamina com o novo Coronavírus após participar de uma reunião na prefeitura da cidade de Balneário Camboriú (SC) na última terça-feira, 12.

Kattiúcia teve contado com três pessoas que testaram positivo para a Covid-19 (Arquivo Pessoal)

“Devido meu pai ser do grupo de risco, estamos tomando todas as medidas de prevenção na minha casa. Só estava saindo de casa para ir para o trabalho. Na última terça, 12, fui para uma reunião na prefeitura da cidade. Dois dias depois, um vereador da cidade e a secretaria de comunicação testaram positivos para o Covid-19. Na sexta-feira, eu já estava sentindo dores de cabeça, garganta inflamada, congestão nasal e febre. Fui até uma UPA e realizei o exame. Fiquei de isolamento três dias, tomando paracetamol, até que saísse o exame. Já estava sendo tratada como se estivesse doente, mas o graças a Deus deu negativo. Era só uma gripe. Porém, fiquei ainda uma semana em isolamento para confirmar que não tinha sido contaminada”, finalizou.