Psicólogos prestam atendimento on line durante a pandemia

Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Novo Coronavírus é inimigo em comum de todo mundo e exige isolamento social, mas a contaminação não é a única preocupação. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2019, apontam que, em média, 9,3% dos brasileiros sofrem por ansiedade e ficar longe do convívio com outros indivíduos pode ser prejudicial à saúde mental.

Atentos ao avanço das doenças mentais, psicólogos de todo o país, inclusive no Amazonas, começaram a modificar suas formas de atendimento para não deixar os pacientes sem amparo e adotaram o serviço on line.

A psicóloga Tallyne Silva, 24, especialista em terapia cognitivo-comportamental (TCC), passou a usar o método on line desde o último mês de março e afirmou que o serviço também pode ser eficaz.

De acordo com a especialista, para quem sofre de ansiedade, o isolamento social propicia desconforto emocional, além da preocupação com a saúde de familiares e amigos nesses tempos de pandemia.

“As pessoas estavam habituadas a saírem de casa, a terem outros meios para lidarem com as suas emoções. E com o isolamento social, há uma mudança de rotina, o acúmulo de informações sobre a doença e a preocupação com a saúde, o que pode acarretar na ansiedade”, explicou.

Segundo a profissional, há uma grande diferença entre ansiedade e transtorno de ansiedade. “Ansiedade é normal e comum. Todos nós temos e precisamos de certos níveis de ansiedade, pois ela nos prepara para coisas futuras. Já o transtorno de ansiedade, ocorre quando isso passa a trazer prejuízos para a vida da pessoa, ou seja, ela não tem mais controle do que está sentido”, enfatizou.

Para a fotógrafa Raquel Miranda, de 35 anos, que sofre de ansiedade e síndrome do pânico há oito anos, ficar em isolamento social não tem sido fácil. “Gera uma preocupação e muitas coisas negativas passam pela nossa cabeça. Há preocupação com a família, se os pais vão acabar pegando isso [Covid-19] e se vai acontecer alguma coisa ruim”, relatou.

Para o psicólogo Alan da Costa, 24, que começou a oferecer serviço de forma gratuita durante a pandemia, o atendimento on line vem sendo eficaz e disse que é preciso que mais profissionais se adequem ao meio digital.

“Pretendo aderir ao serviço voluntário durante toda a situação da pandemia para ajudar o máximo de pessoas possível. Sabemos que têm pessoas que não têm condições de pagar um atendimento, por isso escolhi esse desafio”, disse.

Alan, que é especialista em psicoterapia infantil, adolescente, adulto ou idoso, disse que durante a pandemia tem sido comum as pessoas sentirem os sintomas de ansiedade e pânico como: batimentos cardíacos acelerados; dificuldade para dormir, falta de ar e fadiga, pensamentos acelerados e pessimistas, entre outros.

“Em casos da presença de algum sintoma da Covid-19 é preciso avaliar com bastante cautela para não confundir com sintomas somatizados, desenvolvidos a partir da ansiedade, mesmo sem estar doente. Então, antes de ir aos postos de saúde ou hospitais, verifique o contexto e os sintomas de forma geral, pois a exposição a esses lugares pode causar maior proliferação do vírus”, esclareceu.

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