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18 de janeiro de 2022
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Com informações do Portal Alma Preta

RIO DE JANEIRO – Todo funcionário busca se sentir bem em seu ambiente de trabalho, afinal é onde, na maioria das vezes, ele passa a maior parte do seu tempo. No entanto, isso nem sempre acontece. A falta de um senso de acolhimento/pertencimento na empresa está ligada a diversos fatores, um deles é a discriminação. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Indeed em parceria com o Instituto Guetto, 47,8% dos entrevistados não têm um senso de pertencimento nas empresas em que trabalham ou trabalharam.

O levantamento feito com 245 profissionais negros para saber suas percepções sobre práticas de Rercursos Humanos e o mercado de trabalho atual revelou ainda que 41% dos entrevistados acreditam que ser reconhecido e ter suas contribuições valorizadas ajuda nesse processo de se sentir acolhido/pertencente na empresa.

“O dado demonstra que as companhias precisam estar atentas ao que acontece no ambiente de trabalho para que consigam desenvolver iniciativas de valorização ao funcionário, aumentando assim a motivação e o engajamento dos colaboradores em suas atividades diárias”, dizem as organizações responsáveis pela pesquisa.

Racismo no ambiente de trabalho

A discriminação racial e o fato de não se sentir confortável para se expressar com autenticidade são alguns dos fatores que refletem na falta deste sentimento em ser reconhecido como parte de um time, por exemplo. Ainda segundo a pesquisa, 36% dos profissionais negros entrevistados afirmaram que poder ser autêntico no trabalho contribui para a concepção de pertencimento dentro da companhia.

Segundo o presidente do Instituto Guetto, Victor Del Rey, a discriminação no ambiente de trabalho nem sempre vem com uma ofensa explícita. “A pesquisa mostrou que 60% dos profissionais entrevistados já sentiram discriminação racial no ambiente de trabalho e quase 47% afirmou já ter presenciado cenas de discriminação”, conta.

Del Rey acrescenta que muitas vezes o preconceito ocorre disfarçado de piada em rodas de conversa em tom de brincadeira (o chamado racismo recreativo) ou até mesmo em olhares e diferenças de tratamento.

“O RH precisa estar atento porque nem todos vão denunciar uma atitude de discriminação, mas coibir essas práticas e desenvolver ações no sentido de aumentar o senso de pertencimento desses profissionais vai fazer toda a diferença até mesmo na produtividade. Também é preciso criar um ambiente de segurança institucional para que o colaborador possa denunciar práticas racista nem que seja de forma anônima. Isso fortalece a posição da empresa de não tolerar tais práticas”, recomenda.

Inclusão e pertencimento

Quando perguntados sobre quais práticas acreditam que mais podem ajudar na educação e disseminação de informação dentro das empresas para criar um ambiente mais aberto à inclusão e pertencimento de pessoas negras, 68% dos entrevistados apontaram que uma formação antiracista continuada pode ser um dos caminhos adotados pela companhia. Além disso, 40% dos respondentes acreditam que um programa de letramento racial também é uma ferramenta eficaz.

Medidas efetivas de combate a discriminação racial e ao racismo precisam fazer parte da cultura organizacional da empresa. “Vemos muitas empresas adotando discursos em prol da diversidade, com programas de recrutamento específicos para profissionais negros, mas é preciso ir além, desenvolver ações que possam ser aplicadas e que façam a diferença no dia a dia da empresa”, ressalta Del Rey.