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30 de novembro de 2021
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Iury Lima – Da Cenarium

VILHENA (RO) – Porto Velho, em Rondônia, foi a capital brasileira que mais concentrou queimadas entre os dias 1º e 15 de setembro deste ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram 418 ocorrências registradas durante o período, sendo que em todo o Estado foram mais de 1,2 mil focos de fogo. 

As informações são do Satélite de referência Aqua, do Inpe, e foram repassadas nesta semana, e marcam, até agora, o segundo mês mais intenso em queimadas para Rondônia desde o início de 2021.

Cortina de fumaça sobre Porto Velho, capital de Rondônia. (Ésio Mendes/Governo de Rondônia)

Porto Velho no topo

Com paisagem coberta por uma cortina de fumaça quase que diariamente, Porto Velho, além de ter ficado em primeiro lugar entre as capitais brasileiras na primeira quinzena de setembro, ainda ocupa a segunda posição entre todos os municípios brasileiros. Nesta categoria, perdeu apenas para Corumbá, no Mato Grosso do Sul, que teve 566 focos de calor ativos identificados pelo Aqua. 

Já entre 1º de janeiro deste ano a 15 de setembro, a capital de Rondônia concentrou 2.631 focos, enquanto em todo o Estado foram 6.706. 

Segundo mês mais intenso

Os indicadores apontam que setembro é considerado, até o momento, o segundo mês de 2021 em que a vegetação mais padeceu em Rondônia. Só na primeira quinzena, foram 1.231 focos ativos.

Além de Porto Velho, outros quatro municípios apresentaram os maiores indicadores para o período:

  • Porto Velho: 418;
  • Nova Mamoré: 168
  • Candeias do Jamari: 106;
  • Guajará-Mirim: 68, e
  • Buritis: 45

Dessa maneira, setembro fica atrás apenas de agosto, que fechou com 4.319 queimadas. Foi o mês em que o Estado bateu o recorde anual de focos identificados por satélite para um único dia: 462 registros somente em 23 de agosto.  

Setembro tem sido o segundo pior mês em queimadas para Rondônia. (Reprodução/ Governo de Rondônia)

No entanto, a conta do mês pode aumentar, levando em consideração a tendência do crescimento do número de queimadas. Por outro lado, o mesmo período analisado em 2020 foi mais expressivo.

Naquele ano, os primeiros 15 dias de setembro totalizaram mais que o dobro da primeira quinzena de setembro de 2021: 2.787 focos de calor. Dessa forma, o mês terminou com 4.202 ocorrências.

Nos últimos dois dias, o Estado computou mais de 30 locais assolados pelo fogo, totalizando 1.261 casos, conforme os dados atualizados do Inpe até esta sexta-feira, 17.

Na Amazônia Legal

Dentro do território da maior floresta tropical do mundo, Rondônia caiu para a sexta posição em relação às queimadas, somando os focos de calor ativos identificados desde o início do mês até esta sexta. 

O Acre é quem lidera, com quase 2.500 queimadas. Logo abaixo figuram, na vice-liderança, o Mato Grosso, com 2.229 e o Pará, com 2.042 focos.

PosiçãoEstadoNº de queimadas (de 01/09 a 17/09)
Acre2.476
Mato Grosso2.229
Pará 2.042
Amazonas 1.908
Maranhão1.491
Rondônia1.261
Tocantins892
Amapá42
Roraima30
Fonte: Inpe

Poluição do ar causa internações

O ar tóxico, resultado das queimadas, causa a internação de quase 50 mil brasileiros por ano, sendo boa parte deles crianças abaixo dos 5 anos e idosos, que sofrem com o envelhecimento do sistema imunológico, conforme um estudo publicado no periódico britânico The Lancet.

O estudo inédito, que reuniu dados hospitalares de 143 milhões de pessoas entre 2000 e 2015, foi realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Monash, da Austrália, como mostra a reportagem da CENARIUM para o Jornal da Cultura. Confira: