Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
29 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE
Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A edição do Jornal Nacional dessa sexta-feira, 21, mostrou que a gestão do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), já orientava o tratamento precoce nas unidades de saúde da capital em janeiro deste ano. Um vídeo do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello confirmou que ‘a nova gestão’ seguia a orientação de receitar o “Kit Covid”, conforme mostrou a REVISTA CENARIUM na reportagem “CPI da Pandemia deve cobrar prefeito de Manaus, aliado de Bolsonaro, sobre distribuição de ‘Kits Covid’ em UBSs”.

Em janeiro, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o ex-ministro confirmou que a estratégia de receitar estava sendo usada em Manaus. Na live, Bolsonaro questiona “Você entrou com o tratamento precoce em Manaus agora?” e Pazuello responde “Já está funcionando com a nova gestão”, se referindo à administração de David Almeida.

No depoimento à CPI da Pandemia, Pazuello negou ter promovido o tratamento precoce da Covid-19 com uso de medicamentos. No entanto, em setembro do ano passado, no dia que foi efetivado como ministro e depois de quatro meses como interino, Pazuello declarou que o governo avaliava distribuir o Kit Covid nas farmácias populares do País.

Veja o vídeo:

Reportagem mostrou divergências no depoimento de Eduardo Pazuello à CPI da Pandemia (Reprodução/Jornal Nacional)

Kit Covid nas UBSs

A reportagem “CPI da Pandemia deve cobrar prefeito de Manaus, aliado de Bolsonaro, sobre distribuição de ‘Kits Covid’ em UBSs” da CENARIUM mostrou que a orientação para os médicos fazerem tratamento precoce partiu do próprio prefeito de Manaus, David Almeida. Em janeiro, Almeida, com 13 dias no cargo, confirmou em entrevista à CNN Brasil que orientou profissionais das Unidades Básicas de Saúde a aplicarem o tratamento precoce nos pacientes, procedimento condenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Estamos oferecendo à população da cidade de Manaus a informação que nos passaram de que, quando a pessoa sentir os primeiros sintomas, procure logo uma Unidade Básica de Saúde para que possa iniciar o tratamento de forma precoce”, declarou no vídeo.

E continuou a defesa de medicamentos para prevenir e combater a Covid-19, sem explicar a origem científica, prometendo ainda a sua “distribuição”. “Nós temos as medicações receitadas pelos médicos e esse tratamento é exatamente para que a doença não agrave. Porém, nós temos profiláticos e também vamos estar indicando a prescrição médica nos próximos dias e fazendo a distribuição”, afirmou.

A declaração do prefeito de Manaus David Almeida foi dada no dia 13 de janeiro (Reprodução/CNN Brasil)

Na reportagem da CNN, David Almeida citou o ex-ministro Eduardo Pazuello, alvo da CPI da Pandemia, que, em janeiro deste ano, visitou a cidade Manaus e, junto com assessores, defendeu o uso da Hidroxicloroquina. “O ministro esteve em Manaus (…) e trouxe uma força-tarefa da saúde para nos trazer auxílio aqui na cidade de Manaus com toda equipe do ministério”.

TrateCov

Essa não foi a única vez que Manaus foi usada como “cobaia” durante a gestão de David Almeida. Em 11 de janeiro, na capital amazonense, Pazuello participou da cerimônia de lançamento do “TrateCov”, o aplicativo que servia para os pacientes informarem os sintomas e receberem orientações, mas que também orientava o uso de cloroquina contra a doença.

O prefeito de Manaus, David Almeida, em coletiva de imprensa com o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello em janeiro (Junio Matos)

À CPI, o ex-ministro disse que o aplicativo ficou disponível no site do Ministério da Saúde nunca entrou em operação. Porém, o Jornal Nacional também mostrou que a plataforma fico no ar por 10 dias e inclusive recomendava o uso dos remédios para crianças e grávidas.

David na CPI

David Almeida é o único prefeito do Brasil a ser convocado para prestar esclarecimentos na CPI da Pandemia após ser acusado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) de beneficiar fornecedores da prefeitura, filhos de aliados políticos e amigos na fila de prioridades da imunização da Covid-19 em fevereiro deste ano.

Entre os que furaram a fila está a secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, esposa de um aliado político antigo de David Almeida, o deputado estadual do Amazonas, Abdala Fraxe (Podemos). Shádia é responsável direta da gestão das Unidades Básicas de Saúde na capital amazonense.

Ela e o prefeito David Almeida são alvos de três requerimentos da CPI da Pandemia e, além de terem que explicar sobre o privilégio na vacinação da Covid-19 em Manaus, vão esclarecer a suspensão dos atendimentos de Saúde a 40 mil segurados da ManausMed, fator destaque durante o recrudescimento da pandemia na capital amazonense em janeiro deste ano.

Além disso, o prefeito de Manaus também deve responder sobre um posicionamento concedido à imprensa local, onde afirmava saber previamente da alta na demanda por oxigênio em janeiro – mês marcado pela morte de pessoas por asfixia por falta do insumo hospitalar. Na gravação, David declara que a prefeitura estocou cilindros de oxigênio nas Unidades de Saúde da capital.