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29 de julho de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PSL-AM), afirmou em entrevista à CENARIUM na manhã desta terça-feira, 20, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenta articular a aprovação de R$ 4 bilhões em recursos para os partidos políticos. A manobra, para Ramos, é uma armação que surge após a aprovação de R$ 5,7 bilhões destinados na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ao “Fundão”.

“Eu começo a achar que eu fui vítima de uma grande armação em que eles combinaram para aprovar R$ 5,7 bilhões para depois fazer um acordão de R$ 4 bilhões. É mais do que o dobro do valor de hoje, de R$ 1,7 bilhão. Então não vamos aceitar acordão, tem que cumprir a palavra dele, vetar integralmente”, disse Ramos.

A aprovação da LDO para 2022 ocorreu na quinta-feira, 15. O texto amplia os recursos para o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, destinado ao financiamento de campanhas políticas. Desde então, Bolsonaro – que tem a incumbência de sancionar a LDO integralmente, parcialmente ou vetar o texto – tem afirmado que irá vetá-lo.

Marcelo Ramos no Twitter (Reprodução/Twitter)

Responsabilidade

Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília, na segunda-feira, 19, Bolsonaro culpou Ramos pela aprovação do fundo. O deputado coordenou a sessão de votação da LDO como presidente da Câmara em Exercício, substituindo o presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL).

“No meio da LDO, o relator colocou lá quase R$ 6 bilhões no fundo partidário. Agora teve um destaque para votar em separado os R$ 6 bilhões, o presidente em exercício lá de Manaus, qual é que é o nome do cara? Tão insignificante que nem lembro o nome do cara, não deixou votar. Agora cai para mim”, disse Bolsonaro.

À acusação do presidente, Ramos lembrou que a aprovação dos recursos foi possibilitada pelos votos de parlamentares da base do governo, incluindo os dois filhos de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), na Câmara dos Deputados, e Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) no Senado Federal.

“Eu não posso compactuar com um presidente que me desrespeita baseado em uma mentira, que tenta transferir responsabilidade de um acordão que ele fez com a Câmara e com o Senado para incluir R$ 5,7 bilhões de recursos, que o filho dele na Câmara votou a favor, que o filho dele no Senado votou a favor. Quem articulou para a inclusão dos R$ 5,7 bilhões na Comissão Mista de Orçamento, que eu não faço parte, foram os líderes dele. Quem articulou no plenário a votação foram os líderes dele”, rebateu Ramos.

Impeachment

No meio das críticas de Bolsonaro diante da aprovação da LDO, o vice-presidente da Câmara dos Deputados solicitou ao presidente da Casa, Arthur Lira, acesso aos 126 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro protocolados que ainda não foram analisados. No Twitter, Marcelo Ramos afirmou que as imputações “parecem bem consistentes”.

Marcelo Ramos no Twitter (Reprodução/Twitter)

Sobre os pedidos, o deputado federal afirmou que vai estudar os pedidos para ter que analisar os fundamentos jurídicos e políticos. “Eu pedi a cópia dos pedidos de impeachment porque eu quero ler, entender quais são os fundamentos, para caso eu chegue a uma função de presidente em exercício, certamente eu vou ser cobrado para me manifestar sobre isso”, comentou.

Ramos disse que a tática é voltada para manter clareza do que são os pedidos. “Feito essa análise, se existem os fundamentos jurídicos ou não, eu vou fazer análise de conveniência jurídica e política e eu posso, interinamente no cargo, acatar um pedido de impeachment”, finalizou.