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20 de outubro de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A área sob alerta de desmatamento no Amazonas caiu 12% no primeiro trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período de 2020, segundo o sistema de monitoramento de desmate do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A redução pode não significar uma real perspectiva do desmatamento das áreas florestais no Estado, segundo o ambientalista ouvido pela REVISTA CENARIUM, Ricardo Ninuma.

Os dados foram analisados e divulgados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). De janeiro a março de 2020, o Amazonas acumulou 106,88 km² de alertas de desmatamento. Já neste ano, o sistema Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) do Inpe constatou uma redução de 13,08 km² no índice, o que representa aproximadamente 1.831 campos de futebol a menos de área desmatada.

À REVISTA CENARIUM o ambientalista Ricardo Ninuma indicou que os alertas de desmatamento estão suscetíveis à cobertura de nuvens nas regiões monitoradas, logo este pode ser um dos motivos da redução dos alertas.

“O alerta de desmatamento nada mais é do que a detecção do ato consumado de destruição da mata, quer seja por incêndio e ou por desmatamento. Em março, houve muitas chuvas e pode ter havido uma relação com a diminuição dos alertas, devido à ocorrência de nuvens na região”, destacou Ricardo Ninuma.

A afirmação do ambientalista é fundamentada pelo próprio Deter, que indica ainda que o monitoramento “captura apenas parte das alterações ocorridas, devido à menor resolução das imagens/sensores utilizadas e as restrições de cobertura de nuvens”.

Desmatamento na Amazônia

Dados do Deter apontam que em março deste ano foram registrados 367 km² de áreas desmatadas na Amazônia, o maior desde o começo da série histórica em 2016. A destruição da floresta em março teve crescimento de 12,6% em relação a março de 2020, quando foi registrado 326 km² de áreas desmatadas.

No mesmo ano, o desmatamento atingiu os níveis mais elevados dos últimos 12 anos, mesmo em meio à pandemia da Covid-19. A série histórica levantada pelo Deter vem sendo feita desde 2016 quando o nível do desmatamento em março atingiu 300 km² de mata derrubada. Em 2017, foi o menor nível, apenas 74 km² de área desmatada.

Na contramão dos números totais da região, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas informou que o estado apresentou queda nos alertas de desmatamento emitidos em março. Foram 15,5% a menos de área desmatada, passando de 72,71 km² registrados em março de 2020, para 61,41 km² em março deste ano.